Correio do Minho

Braga, segunda-feira

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Marmeladas jurídico-ideológicas e outras merdices

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Ideias

2010-10-15 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

1 . Marcelo Rebelo de Sousa, o “homo sapiens” da actualidade, um profisssional de “opiniões” e “comentários” e um “expert” em se pronunciar sobre tudo e todos sem se comprometer, tecendo observações e críticas, mas com falta de “coragem” em se assumir em acção e responsabilidade no mundo da política onde gosta de “chafurdar”, dizia há dias de uma das propostas de alteração constitucional do PSD que tal não passava de uma “marmelada jurídico-ideológica”.

Foi muito feliz na expressão usada, que apreciámos e acolhemos. Como aliás apreciámos outrora vê-lo de calções a mergulhar no poluído Tejo numa acção de propaganda, sendo de referir ainda os seus usuais mergulhos no mar, quase tão mediatizados como a sua presença em falados eventos com a “namorada”, e que o tornam ainda mais mediático do que o famoso Vítor Melícias (alguns diziam “Malícias”, sabe-se lá porquê!...), hoje um pouco esquecido pelos media.

Mas também apreciamos, e registamos, as suas simpatia pelo SCBraga e a empatia, às vezes descambando em incontroláveis risinhos e sorrisos, com o amigo Júlio Magalhães, reconhecendo-se-lhe à vontade e “inteligência” nos seus comentários e observações, lançando “bitaites”, criticando e bolçando juízos de valor, de certo menos valiosos do que as suas “avenças” como “opinador” e “comentador” privilegiado.

Voltando-se às “marmeladas jurídico-ideológicas”, é-nos forçoso admitir que o país há muito se transformou numa grande “indústria” de compotas, já que às ditas marmeladas há a acrescentar muitas outras como as “político-partidárias”, as “lúdico-futebolísticas”, as “sindicato-intervencionistas”, as “intelecto-progressistas”, as “técnico-economicistas”, etc., sendo que não há palavras para qualificar, caracterizar e quantificar o avolumado número de personagens e “figurões” arregimentados, mediatizados e projectados nas múltiplas “xaropadas” com que diariamente nos vemos confrontados. Aliás trazer só à colação os A.Costas, P.Pereiras, L.Xavieres, Macedos, Barretos, Mendes, Metelos, Pinas, Seabras, Barrosos, Aguiares, Cervans, D.Ferreiras, Pôncios, G. Silvas, Santos, Q.Manhas, Tonis, Mozeres, Pintos, etc., é correr grave risco de ofender, por omissão, os muitos outros que, com igual “lata”, vêm “botando” faladura, “perorando” e “bolçando” sapiência com todo o à vontade nas muitas “quadraturas de círculo”, “prolongamentos”, “eixos do mal”, “dias seguintes” e outros “prós e contras” de discussão barata e de inteligência ao preço da uva mijona com que somos bombardeados. Empoleirados em tolas prosápia, competência e conhecimentos e embriagados pelos fogachos dos holofotes públicos, não passsam de bonifrates para os usuais manipuladores da opinião e informação.

Com o país a descambar para marmeladas verborraico-dependentes, recorrentes e pretensiosas de auto-proclamados senhores do saber e da verdade, há que lembrar que alguns carecem urgentemente de tratamento psicológico e acompanhamento por psicanalistas, como alguém já disse, antes que “desaguem” em psicopatas perturbadores da paz pública e “violadores” perigosos da sã inteligência e sentir de um povo.

Com o ego exacerbado pela promoção mediática e por quem lhes vem aparando o jogo, acolhendo os seus chorrilhos de asneiras, tais “industriais“ de marmeladas e merdices só subsistem devido à falta de umas boas “bordoadas” de pau de marmeleiro.

2 . Guido Westterwelle, ministro dos Negócios Estrangeiros alemão e vice-chancheler do governo de Angela Merkel, casou-se com o seu companheiro de há seis anos, Michael Mronz, numa cerimónia celebrada pelo presidente da Câmara de Bona, tendo estado presentes 20 convidados (JN, 19.9.10). Se a notícia em si não merece comentários porque gostos e tendências não se discutem, estranhou-se a ausência de portugueses dados o nosso enquadramento europeu e o alargado número de políticos vanguardistas e defensores desses casamentos. Até porque um antigo JS, um recorrente lutador em tal área, devia ter sido escolhido para “menino das alianças”!...

3 . Outra marmelada jurídico-ideológico-política, mas mais vermelha por não se ter tirado a casca aos marmelos, é o processo Freeport, hoje na modorra dum silêncio estranhamente “compactuado” após o MP, em Julho, ter apenas deduzido acusação por tentativa de extorsão contra Charles Smith e Manuel Pedro. Dando-se de barato a comunicação ao país de Sócrates, resfolegando inocência, e a observação-espanto da defensora falando em incoerência e na existência de «indícios fortes, concludentes e bastantes da prática do crime de corrupção»” que teriam mesmo justificado buscas, escutas e cartas rogatórias (JN, 29.7.10), resta-nos tão só o insólito dum despacho onde se exara que face ao prazo fixado pelo Vice-PGR não puderam ser feitas 27 perguntas a Sócrates e outras 10 a um ex-secretário do ambiente, e a memória das “estórias” contadas, as “ilações “ tiradas, os documentos mostrados e os vídeos exibidos nas TVs.

É certo que factos são factos, provas são provas, análises são análises e “leituras” serão sempre “leituras” tal como um vintém será sempre um vintém e um cretino será sempre um cretino como disse M.Machado na sua disputa verbal com Jesus. E, é óbvio, um processo também será sempre um processo que muitas vezes se arquiva sem que se possa afirmar segura e inelutavelmente as verdade e realidade do contrário.

Aliás os tribunais estão cheios de processos arquivados por falta de prova sem que de algum modo se “arquivassem” convicções, sentimentos e conjecturas sobre as realidades e “verdades” subjacentes que a “factualidade fixada”, nos seus contornos legais, formais, processuais e estruturais, acaba por escamotear ou fazer desvanecer.

Como S. Tomé, gostaríamos de ver para crer, metendo os dedos nas “feridas” da prova e despachos para melhor apreender as razões do posicionamento final. Aliás é-nos impossível ultrapassar o conjunto de peripécias, nebulosidades, “estórias” e “verdades” mal contadas e embrulhadas em que o Freeport desaguou e ignorar a crítica do PGR a tal despacho final, para mais quando se desconhece o resultado do inquérito instaurado para “apuramento de «eventuais anomalias» e «de todas as questões de índole processual ou deontológica que o processo possa suscitar»” (J.N.30.7.10). Mas se a Cândida já deixou “escapar” que mesmo a ser ouvido Sócrates isso não iria alterar a decisão, afigura-se-nos que nada mais há a dizer!?!...

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