Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Investir na mudança

Como sonhar um negócio

Voz às Escolas

2017-06-01 às 06h00

Luisa Rodrigues

Li, há dias, um artigo do conhecido e reconhecido pedagogo José Pacheco que, pela oportunidade da temática abordada, mereceu a minha especial atenção, não porque me reveja na totalidade das afirmações que faz, mas porque tenho vindo, de forma mais insistente, nos últimos anos, a defender a mudança da Escola, incidindo na motivação dos profissionais de educação que trabalham no Agrupamento que lidero para a necessidade de investirmos na renovação de algumas práticas, ainda implementadas, e de sustentabilizarmos as boas práticas que experienciámos, com repercussões positivas ao nível dos resultados dos alunos.
Reportando-me ao tema da atualidade, o currículo, tenho que reconhecer que esta é, sem dúvida, a área em que tenho encontrado mais resistências, resistências essas que decorrem da extensão e da desarticulação dos programas das diversas disciplinas de uma escolaridade básica que tem sido, ao longo dos tempos, alvo de experimentações aleatórias, bem sintomáticas da falta de uma política educativa em que impere o direito alienável de acesso a um ensino em que os objetivos sejam exequíveis, as metas alcançáveis e os resultados sirvam, efetivamente, não para recomeçar mas para adequar e diversificar as estratégias utilizadas para o sucesso de uma educação em que o primado sejam os alunos.
No entanto, e não pretendendo desmerecer e, muito menos, questionar o currículo académico dos decisores em matéria de educação, o certo é que se torna cada vez mais evidente o fosso entre as teorias e as práticas educativas, o que me leva a concluir que os tempos que se avizinham continuarão a ser bem difíceis, fruto da falta de humildade de quem desconhece, ou rapidamente esqueceu, o palco em que tudo se processa - a Escola, razão pela qual parafraseio José Pacheco quando afirma que “Alunos e professores não podem ser tratados como cobaias.”
Lamentavelmente, tem sido o nosso papel, o de cobaias, como se em questões de educação devesse ser sequer equacionada a possibilidade de ir testando até acertar e, com a devida gravidade, manter ou anular sem avaliar os resultados dos testes a que nos sujeitam.
Mudança, Currículo, Avaliação têm feito correr muita tinta e acolhem, de forma generalizada, consensos, embora esteja latente a necessidade de criar condições, a montante, para que as alterações que se pretendem introduzir não resultem em mais do mesmo - pôr de lado e avançar para outras soluções.
Falo, e quem dera deixasse de fazer sentido falar, de reformas estruturais, de orientações precisas quanto ao que se espera da Escola; de coragem para aumentar as margens de autonomia da Escola, respeitando e confiando nas decisões das estruturas que, no terreno, a “governam”; de restituir à Escola o direito à gestão dos recursos que são canalizados para a educação, como garante de que responderão às suas necessidades mais prementes.
Falo da necessidade de restituir aos profissionais de educação o seu estatuto, para que sintam que vale a pena investir na mudança que se persegue para a Escola, porque a escola pode, efetivamente, ser diferente, mas é inquestionável que a mudança só poderá ser construída com o envolvimento e a ação direta dos profissionais de educação.

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