Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Instrumentos antigos suas características e classificação

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Escreve quem sabe

2018-05-23 às 06h00

Alfredo Machado

O interesse que hoje existe pelos instrumentos antigos deve-se em parte a François-Joseph Fétis cuja colecção de 75 instrumento viria a constituir o gérmen do Museu dos instrumentos do Conservatório de Bruxelas. Este museu foi mais tarde dirigido por Victor Mahillon no período de 1841-1924, a quem se deve a primeira classificação de instrumentos com credibilidade científica que data de 1880. Durante a direcção de Victor Mahillon passou este museu a ter mais de 1500 espécies.
Os instrumentos anteriores ao século XVII apresentam grandes limitações, se comparados com os da atual orquestra sinfónica, embora se adequem perfeitamente à música então produzida. Os cordofones em especial, tinham extensões bastante inferiores, só podiam tocar em algumas vocalidades e o seu campo de liberdade, quanto a intensidade era também muito reduzido.

Muitos dos instrumentos do século XIX, tendo adquirido maior controlo de execução, maior extensão e maior campo de liberdade quanto à intensidade, perderam em riqueza timbríca. Daí o interesse em reviver os timbres do oboé, da flauta transversa e do fagote barroco, da trompa lisa, do violino, viola e violoncelo barroco, do piano forte e de muitos outros.
Além dos instrumentos que se transformaram muitos outros desapareceram.
A configuração com que um instrumento é fabricado tem sempre em conta as limitações anatómicas e fisiológicas do homem, principalmente no que se refere a forma e dimensões da mão.

Os materiais usados são escolhidos as razões de ordem prática e acústica. O clarinete é fabricado em ébano porque a cor escura desta madeira não deixa que se notem manchas provocadas pelo uso, a sua elevada massa volúmica evita vibrações indesejáveis nas paredes, quando o torneado permite um som acabamento e suporta sem problemas os parafusos que fixam o sistema de chaves.
Para a construção de um instrumento de arco, a escolha da madeira é extremamente seletiva, reservando-se para o tampo de madeira com fibras paralelas e muito juntas (spruce)

As madeiras preferidas pelas suas qualidades acústicas para esta aplicação provém de árvores que cresceram em terreno siliciosos, num clima temperado numa altitude de 1000 a 1500 m em floresta muito densa.
Os instrumentos são construídos de modo a que o executante possa explorar as características do som: altura intensidade e timbre. Cada uma destas características tem um campo de variação a que chamamos campo de liberdade.
O campo de liberdade da intensidade condiciona possíveis dinâmicas do instrumento e diga respeito a gama de intensidade diferentes que este permite.

O campo liberdade da altura diz respeito não apenas ao âmbito sonoro ma s também à rigidez da sua afinação. Há instrumentos de afinação fixa como o piano de afinação semi-fixa quase todos os sopros e de afinação livre, a voz e os instrumentos de corda como violino ou violoncelo. Nos dois últimos grupos o executante pode atuar sobre a altura exata de cada nota, o que tem grande interesse musical, já que não o limita a um sistema de afinação único.
O campo de liberdade do timbre é a capacidade que um instrumento tem de variar o timbre produzido, embora se diga que cada instrumento tem o seu timbre, o certo é que num mesmo instrumento esta característica pode variar em função do modo de execução.

A classificação dos instrumentos é a seguinte nos idiofones o som é produzida pelo próprio corpo do instrumento, feito de materiais elásticos naturalmente sonoros, sem estarem submetidos a tensão; Menbrafones o som é produzido por uma membrana esticada; Cordofones o som é produzido pela tensão de uma corda; acrofones o som é produzido pela vibração de uma massa de ar de origem no ou pelo instrumento. Mais tarde com o advento dos instrumentos eletrónicos adicionou-se uma quinta categoria os electrofones que o som é produzido a partir da variação de intensidade de um campo electromagnético.

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