Correio do Minho

Braga, terça-feira

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Inovação e competência: o caminho para a empregabilidade?

A Confiança, uma vez mais

Voz às Escolas

2010-04-06 às 06h00

Paulo R. Sousa Paulo R. Sousa

No pretérito dia 16 de Março, participei num Seminário em que, durante um dia inteiro, se abordou o tema “Empregabilidade: Que desafios para a educação e formação?”
Começo por dar os parabéns à organização deste evento, pela pertinência e acuidade do tema definido e pela escolha criteriosa dos oradores. A verdade é que as intervenções foram todas de excelente qualidade, registando-se o debate de uma grande diversidade de assuntos e a análise de questões decorrentes do mesmo, com uma grande abrangência em termos da amplitude e complexidade do tema tratado. Mas soube a pouco.

Com efeito, é imprescindível que se realizem mais seminários subordinados a esta temática, para se aprofundarem muitas das questões e problemas abordados, e com a participação de mais representantes de empresas - de pequena, de média e de grande dimensão -, apesar de neste Seminário o tecido empresarial ter estado muito bem representado pelas diversas associações presentes, e terem sido apresentados pela Comissão de Desenvolvimento Regional do Norte alguns dados relativos a uma amostra de 407 empresas, no que respeita ao investimento em formação profissional.

E fazemos este reparo para que nos seja disponibilizada, nesta matéria, uma visão mais concreta da realidade de cada um dos tipos de empresas, e transmitidas as necessidades e práticas seguidas pelas mesmas no que respeita à formação dos recursos humanos e às políticas e práticas de recrutamento e selecção, de acordo, sobretudo, com o factor dimensão. Porque a gestão de recursos humanos diverge imenso de uma pequena ou média para uma grande empresa, em função das condições de que cada uma dispõe. Um tema que deverá merecer a atenção dos profissionais desta área.

Contudo, num aspecto há unanimidade no seio dos municípios, responsáveis governamentais, empresas, associações empresariais, escolas e demais entidades formadoras, o que significa que já está dado um passo importante: refiro-me ao reconhecimento de todos de que é necessária uma enorme aproximação, permanente e proactiva, que conduza ao máximo de compatibilidade entre as necessidades das empresas em recursos humanos qualificados e competentes e a oferta de formação disponibilizada pelas entidades formadoras. Um aspecto que não terá sido devidamente acautelado no passado.

Por outro lado, terá de se compatibilizar esta procura pelas empresas e a oferta de formação das mesmas com os anseios, apetências e perspectivas dos jovens, das famílias e dos adultos activos que pretendem outras qualificações e competências.

Ora isto significa que temos dois eixos (as empresas num eixo, e os jovens e adultos noutro) do lado da procura de formação que têm que se sintonizar, e as entidades formadoras do lado da oferta. E sabemos que não é fácil esta articulação, porque o que os públicos, sobretudo os mais jovens, pretendem nem sempre coincide com o que as empresas e a sociedade em geral necessitam. Contudo, temos todos de trabalhar, em conjunto, para que essa sintonia seja cada vez maior, sendo este certamente um factor gerador de empregabilidade.

Há também uma outra questão que, em minha opinião, é da maior pertinência abordar. Refiro-me às práticas de contratação, talvez mais de “nomeação”, para cargos e funções que são ou deveriam ser de alto grau de responsabilidade, cujos critérios de contratação ou nomeação prevalecentes deveriam cingir-se à titularidade de competência. O que manifestamente nem sempre acontece.

Na verdade, todos conhecemos casos (e não são poucos) em que funções exigentes de gestão e cargos de administração são preenchidos e ocupados por pessoas sem condições e perfil minimamente adequados. Enquanto isto ocorrer, todos nós seremos prejudicados, não havendo outra solução senão penalizar fortemente quem comete erros de gestão com consequências económicas e financeiras negativas, imediatas ou passíveis de ocorrer no futuro, para o erário público. Isto também contribui (e de que maneira!) para o défice orçamental e para o endividamento público. Além de que desmotiva as pessoas verdadeiramente dotadas de competências para exercer esses cargos e que sabem que dificilmente lá chegarão através do seu mérito.

Foi também referida a necessidade de uma aposta séria em cursos ou acções de formação com um pendor tecnológico para, por um lado, se acompanhar o ritmo da inovação e, por outro, se suprirem carências em técnicos qualificados, sentidas principalmente pelas empresas industriais. Não posso estar mais de acordo; mas, para isso, é indispensável que se apoie mais o investimento necessário às escolas e entidades formadoras, para poderem proporcionar formação prática em contexto real. O que implica que sejam definitivamente mudadas algumas regras e práticas de financiamento que ainda vigoram para as escolas.

A terminar, quero ainda referir-me ao empreendedorismo, questão fortemente relacionada com o tema desta crónica e muito falada e debatida na actualidade, sobretudo na formação que deve ser dada, principalmente aos jovens, para dispormos de mais empreendedores. E que falta eles fazem…

É, sem dúvida, uma matéria interessante para debater, mas terei de a deixar para uma próxima oportunidade. Prometo falar dela brevemente, relatando o que estamos a fazer nesta área na EPB - Escola Profissional de Braga, no tocante à criação de pequenas unidades de negócio e à potencial incubação de micro e pequenas empresas.

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