Correio do Minho

Braga, sábado

Futuro EU

Mercado de trabalho em Portugal: pontos fortes e pontos fracos

Ensino

2015-10-27 às 06h00

Maria Teresa Machado

No mínimo estranho o título desta crónica, plágio do álbum do músico David Fonseca, lançado neste outubro, anunciado através de carta, o músico surpreende fãs em casa ou no local de trabalho, tipo concerto ao domicílio. Despertou-me particular interesse um título de um jornal: David Fonseca encontrou o seu ‘Futuro Eu’ na casa da avó em Peniche.

Desengane-se, caro leitor ou cara leitora, se crê que vai ler sobre o lançamento do primeiro CD álbum do David Fonseca, e se está prestes a abandonar a leitura desta crónica, fique mais um pouco, porque vamos falar do que realmente importa: eu - futuro-família. E o título, apesar da apropriação indevida, da infração gramatical, permite variáveis de ação, que conjugo: Eu sou futuro, Tu és futuro… Dear Future me.

Naturalmente que a centralidade no “eu” tanto a podemos atribuir a um olhar maroto da análise psíquica, falo dos egocêntricos e egoístas, ou para quem vive num paralelo universal- cósmico- literário vem-nos à ideia os “eus” de Fernando Pessoa, na urgência de ser outros. Mas não.

Falemos na urgência de ser para os outros, através de alguns exemplos: Maria Barroso Soares, antiga primeira-dama, criou, em 1994, a Fundação Pro Dignitate, uma instituição de utilidade pública destinada a prevenir a violência e promover os direitos humanos, através do trabalho com crianças, da cooperação para o desenvolvimento e de ações na área da pobreza e exclusão social. A apresentadora, atriz e documentarista Catarina Furtado é Embaixadora de Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), realizando trabalho no terreno em diferentes países, nas áreas da saúde, igualdade de género, violência sobre as mulheres, discriminação, mutilação genital feminina e maternidade segura, entre outras.

Criada em 2003, a Fundação Luís Figo desenvolve um conjunto de projetos nas áreas do desporto, educação, saúde e ação social, objetivando criação de condições e oportunidades para as crianças e adolescentes. O vocalista dos U2, Bono Box, é um dos artistas que mais se manifesta na defesa do planeta e promove ações humanitárias, tendo sido indicado três vezes para o Prémio Nobel da Paz. A esta ilustração poderíamos acrescentar um número infinito de tantos que procuram melhorar as condições de ser futuro nos outros e, quiçá, estejamos a pensar que na nossa ação diária, muitas vezes silenciosa e discreta, priorizamos a construção sólida do futuro dos que nos rodeiam.

Impomos, então, a inevitável afirmação: é preciso transformar o mundo! Começamos por quem…? Pela escola, claro! De novo, a pseudoverdade, de facto o mundo já se transforma sub-repticiamente, adquire novos formatos, mais digitais, espantosamente virtuais, inesperadamente falíveis, aparentemente perfeitos na forma, porém vazios de conteúdo. O que é necessário é poder ensinar e fazer aprender valores e princípios instauradores de espírito crítico para formar cidadãos com futuro.

Urge lembrar que a escola é o lugar da excelência do conhecimento, e como há dias alguém me escreveu, o amor é um balão de oxigénio que desenvolve o melhor que há em nós, a meu ver a escola também. Mas o amor não é um ato isolado, tem forçosamente de ser sustentado pelo respeito e vontade de ter futuro e, digo eu, que a metáfora estaria perfeita se a família assumisse, tal como os apaixonados, o compromisso de tal determinação. Fartos de ler, ouvir e concordar que a família é determinante para o sucesso da formação académica das crianças e jovens, conhecemos, igualmente que há uma inoperância com argumentos.

O que fazer? Irmos à casa da avó encontrar o futuro, como fez o cantor. Corre a necessidade de investir nas manifestações de acompanhamento familiar às gerações mais novas, cimentadas de formação humana, até porque a palavra Família apresenta uma pluralidade de significados, optaria pela relativa a um grupo de pessoas com origem, ocupação, ou outra característica comum, em que essa característica comum é de educar as crianças e jovens a serem os autores do seu próprio caminho, sabendo enfrentar desafios autonomamente, vencer obstáculos, de modo a que se tornem sinónimos de futuro.
Cada um de nós, gerações com mais vivências afetivas, sociais e profissionais, deverá esforçar-se, para que numa conjuntura política e social tão inebriante, sejamos a exemplaridade de crença no devir, ou seja, pró-ativos num processo evolutivo, sentindo capaz de criar e recriar realidades, de modo a passar a ser, fazer existir…

A Escola Profissional de Braga, ao longo dos 26 anos de existência, tem presente no seu Projeto Educativo a centralidade dos conhecimentos, conferindo rigor e competência, a formação humana, assim como tem mantido boas práticas com os parceiros educativos, dando enfoque aos Pais e Encarregados de Educação, pelo protagonismo no processo formativo dos seus educandos. Indubitavelmente que a EPB, tal como outras escolas, permite que cada pessoa-aluno construa e aperfeiçoe a construção de si próprio, reconhecendo o seu potencial humano e, proprietário legítimo da sua identidade, possa afirmar: Futuro EU.

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