Correio do Minho

Braga,

F(r)atura exposta

Transtorno obsessivo compulsivo por compras: Oniomania

Ideias Políticas

2018-03-06 às 06h00

Hugo Soares

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) está exangue e à míngua, num processo imparável de degradação desde que o atual governo tomou posse e decidiu sacrificar os serviços públicos em nome do “défice mais baixo da democracia”. As pessoas sentem-no na pele todos os dias, nem era preciso vir o ministro da Saúde confirmá-lo. Mas, surpresa das surpresas, o governante deixou escapar no parlamento que há em Portugal uma “quantidade significativa” de hospitais públicos “em falência técnica”. Assim, ipsis verbis.
Vinda da boca de um membro do governo que todos os dias se vangloria dos seus sucessos económicos e do fantástico momento financeiro que o País atravessa, a confissão de Adalberto Campos Fernandes ganha um significado político que não pode ser escamoteado.

A afirmação só espanta, de facto, por vir de quem vem - de um ministro que, contra todas as evidências, queixas e protestos, tem negado teimosamente o atual estado de caos em que se encontra o SNS. Desta vez, porém, fugiu-lhe a boca para a verdade. Imagino que António Costa, que tem segurado sempre o ministro da Saúde apesar da sua manifesta incapacidade para resolver os problemas do setor, terá tido ganas de o demitir depois deste lapso de honestidade.
O facto é que a realidade acabou por se impor até ao próprio governo que insiste em viver num permanente estado de negação e ilusão. Não é por acaso que a saúde, o SNS e a atuação de Adalberto Campos Fernandes estão diariamente nas capas dos jornais pelas piores razões. É porque os problemas nos hospitais são realmente graves, porque a degradação do acesso aos cuidados de saúde é real e porque as reclamações de utentes e profissionais da saúde têm toda a razão de ser. Vive-se hoje no SNS uma situação como nunca se viu nos tempos mais duros da troika e como não se esperava ver num tempo de alegada bonança.

A lista do que corre mal na saúde é assustadora… e interminável. Ruturas nos hospitais, com falta de médicos, enfermeiros, auxiliares, meios técnicos de diagnóstico, medicamentos, veículos médicos; falta de capacidade de resposta nas urgências, nos cuidados primários e continuados; listas de espera para consultas de especialidade que chegam a ultrapassar os mil dias; atrasos nas cirurgias por falta de recursos técnicos e humanos; aumento descontrolado das dívidas dos hospitais aos fornecedores; congelamento de concursos para admissão de médicos e bloqueios nas carreiras de enfermeiros pelas Finanças; greves dos profissionais de saúde…
Esta fratura inédita na qualidade do SNS expõe, em toda a sua crueza, os custos desta solução governativa das esquerdas. Este é o preço que o País está a pagar pelas cativações sem dó nem piedade nos serviços públicos. Este é o preço da maior queda do investimento público de que há memória, com reflexos diretos na deterioração da saúde, mas também da educação, dos transportes e da segurança. Este é, em suma, o preço que estamos a pagar pela rábula da página-virada-da austeridade. Esta é a fatura exposta deste governo.

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