Correio do Minho

Braga, sábado

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Eles comem tudo e não deixam nada...

Datas que não podem ser esquecidas durante todo o ano

Ideias

2017-06-02 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

Sem música, já que neste país não faltam músicos. E para todos os gostos, diga-se!... Visualizando-se o passado, viajando-se no combóio do tempo e dedicando-se a atenção ao que perpassa ante os olhos, forçosamente se tem de ficar sobressaltado e preocupado apesar das “rosas” que vêm enfeitando um Maio de vitórias, boas notícias e óptimas estatísticas, aliás “coroado” com a saída do país do procedimento por défice excessivo e os parabéns da CEE. Pondo-se de parte méritos e esquecendo ideologias, utopias, orientações partidárias e filosofias sindicais, é imperioso concluir-se que o Abril ridente, florido e prenhe de promessas e esperanças depressa descambou num mundo de mudanças nem sempre compreendidas e muitas vezes deturpadas e com sequelas perversas. À primária afirmação de gangas, fatos de treino e semáforos a que se seguiram as rotundas, começou-se a “enfunar” com os dinheiros de Bruxelas e enveredou-se por multiplicar autoestradas, algumas ridículas e inúteis, perdidas na frieza e isolamento de um asfalto às moscas porque meras respostas a “jogatainas” político-eleitorais. Aleatórias e anedóticas, por vezes são meros assomos de vaidade e sinais de pagamento de jeitos e favores. Aproximaram, é um facto, cidades, vilas e regiões mas não se “venceu” um interior desertificado, ao abandono, em declive e a “escorregar” para a orla costeira.
Entretanto ocorreram mudanças, e sensíveis, com a agricultura abandonada e a esvair-se, a indústria a fugir para outras paragens, a pesca a entrar em colapso e a decair enquanto a sociedade, por sua vez, inebriada por sonhos e a viver um mundo novo para o qual não estava preparada, entrou em derrocada e em descalabro com uma acentuada perda e quebra de princípios, paradigmas e valores na cultura, tradições e ética, e o ruir dos sentimentos de respeito, dignidade, honra, responsabilidade e até de apego ao trabalho. Afirmaram-se outros valores e primazias e mudou profundamente a vida e o pensar dos portugueses, que passaram a orientar-se por outros princípios e a lutar por outros interesses, tão só preocupados em crescer economicamente, subir socialmente e em ganhar dinheiro. E de qualquer forma, diga-se, mesmo atropelando direitos e pisando os outros.
Encheu-se a boca com a palavra “democracia” e o slogan da “liberdade”, e avançou-se muito rapidamente para um sistema e um mundo de “propaganda”, de todo “balançados” para o que acontecia na “estranja” e era “badalado” por “arautos da democracia”, tendo então naturalmente surgido e “engrossado” uma nova classe, a do “ povo político”, encaixotado em partidos, mergulhado em pichagens, colagens e slogans. Uma classe que se afirmou por uma “arrogada” importância e passou a dominar, dirigir e a governar o país, estupidamente e de forma ingénua intentando “copiar” e “imitar” o que existia lá fora para “mostrar” e “se dizer” em democracia, mas sem o cuidado e o bom senso de reconhecer que o país, sem cultura democrática nem estaleca e preparação para tal, não tinha dinheiro, estruturas, meios nem rendimentos para sus- tentar e alimentar as “coisas” e os “berloques” bonitos e democráticos de tais países. Aliás alavancou-se um novo poder autárquico extremamente oneroso e pesado que logo descambou para uma “cultura” de amiguismo, de compadrios e para “uniões de facto” com construtores e certos empresários, com atropelos nos ordenamentos, planos directores, serviços, estruturas de parceria, polidesportivos e quejandos, e assistiu-se ao proliferar de queixas e processos por peculato, corrupção e demais malfeitorias com os dinheiros públicos. Um poder autárquico que passou a ser um fautor de lugares de recheio e de recreio para políticos, amigos e familiares, de pagamento de favores e jeitos e ainda de trampolim para subir nos aparelhos dos partidos e ascender ao poder central.
Um sistema e um poder “estruturado” e “assente” nos partidos políticos e seus interesses, sempre de olhos e ouvidos em Bruxelas e atenção “gulosa” aos fundos europeus, à moeda única e aos penachos, pelo que se impõe concluir que o país vive na realidade uma “partidocracia” asfixiante, perturbadora e venenosa. Aleatória e perigosa, diga-se, pois além de gravosa para o erário público vive voltada para os seus próprios interesses, para a glória e honras do poder e para o prazer do mando, surgindo o povo como uma mera marioneta nas suas mãos, mas sustentando-a. Uma marioneta que vem pagando com língua de palmo as loucuras e as “brincalhotices” do próprio sistema, aliás desdobrado e enrolado num numeroso grupo de figuras como governantes, deputados, Altas Autoridades, Entidades Reguladoras, Presidentes disto e daquilo, Directores, Governadores, Assessores, Provedor de Justiça, Provedores de tudo e do nada, Comissões, Institutos, Fundações, T.Constitucional e de Contas, Empresas Públicas, Parcerias, etc., etc.. Um Povo que vem aguentando as loucuras de certos figurões e as utopias de um sistema em que o Estado subsidia e sustenta partidos, custeia eleições, suporta “reformas” dos políticos e paga-lhes “subsídios” pelo “tempo” e “estragos” ao serviço (?) da pátria. Dinheiro sempre a escorrer dos cofres públicos e que o povo vem pagando com os impostos, taxas, tarifas, etc., e assim contribuindo para o ar sadio, nédio e de nababo de “figurões” que fazem da politica modo de vida e até a legam aos filhos.
Uma partidocracia de “comedores”, hábeis em pichagens, colagens, slogans, jeitos, compadrios e amiguismos, sempre de olhos apontados ao poder, às honras e ao dinheiro e a quem o povo, que continua a viver mal e sem melhoria de condições, “sustenta” aguentando suas manigâncias e tonterias e sofrendo na pele, e na bolsa, cortes nas reformas, falências de serviços, aumentos do custo de vida, a inflacção nos preços de bens e serviços e ainda as loucuras, utopias e diatribes de quem vem governando, sempre sorrindo mas “comendo”. Figuras, figurinhas e figurões em que as sensatez, dignidade, amor à verdade e respeito pelos outros “rebolaram” e se “perderam” numa irresponsabilidade de loucos, de braço dado com uma Banca que aterroriza. O país, que já não vai com “cantos de sereia” dos políticos, euforias e optimismos balofos e ridículos face a uma duvidosa e precária sustentabilidade, teme o futuro e a valia de um sistema com um número volumoso e escandaloso de figuras vivendo à custa do Estado, quando já é real e sentida toda uma “rapina” fiscal. Para alimentar um mundo de “comedores”, os políticos, que, se querem sobreviver, têm que trabalhar como os outros e deixar de “mamar”. Daí impor-se reduzir drásticamente as despesas públicas, eliminando-se cargos, serviços e instituições de nula nulidade, senhas de presença, ajudas de custo escandalosas e mais alcavalas que contribuem para o assustador aumento da dívida pública. Mude-se o sistema eleitoral, reduza-se o número de eleições e acabe-se com os subsídios a partidos. O povo não político, trabalhador e sério não aguenta e já não se ilude com palavreado, sorrisinhos, promessas, abraços e selfies . Na verdade a Banca assusta, é duvidosa a sustentabilidade da Segurança Social e já não há forças para pagar mais impostos, taxas, contribuições e comparticipações, etc.. Até porque “eles comem tudo e não deixam nada” !...

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