Correio do Minho

Braga, segunda-feira

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Educação Sexual na ESCA

Como descomplicar uma devolução

Voz às Escolas

2011-01-10 às 06h00

Hortense Lopes dos Santos Hortense Lopes dos Santos

A Escola Carlos Amarante está a aplicar as orientações do Ministério da Educação relativas à organização e funcionamento da educação sexual, integrando-as nas áreas curriculares disciplinares e não disciplinares de cada turma do ensino secundário.
Os professores do grupo de trabalho que aplica este projecto solicitaram aos alunos que reflectissem sobre as actividades que têm sido desenvolvidas.
Neste sentido vamos apresentar uma parte do texto da aluna do 11.º B, Bárbara Martins, que permite avaliar o trabalho desenvolvido:

“(…) Nem sempre é fácil para muitos jovens discutirem em família os seus problemas, dúvidas e receios face a estes “bichos” a que chamamos de sexo e sexualidade, tendo estes adolescentes que aprender com os amigos e colegas e até mesmo com a experiência.
Acontece que com o diálogo familiar muitas das “cabeças batidas na parede” poderiam ser evitadas e outras tantas contornadas de uma forma mais agradável.
Por outro lado, a informação dada por um colega ou por um amigo, por muito bem-intencionada que seja, pode não ser a mais correcta e a mais elucidativa.
A aprendizagem pela experiência pode também não ser o melhor método, uma vez que há acções com consequências graves que não têm volta a dar, marcam e seguem-nos para a vida toda, tais como as doenças sexualmente transmissíveis, gravidezes indesejadas, traumas psicológicos, entre outros.
É frequente assistir ao “passar da pasta” dos pais para as escolas e colégios para que lhes caiba a tarefa de educar e de tratar dos temas mais “chatos” e que provocam polémica.
Será esta a melhor atitude? Deverão ser os professores, educa-dores e auxiliares escolares, os únicos responsáveis por este tipo de tarefas? Onde ficam os pais no meio disto?
A educação deve começar em casa! Sem qualquer dúvida, os pais são os principais responsáveis pela educação e formação dos seus filhos. Podem, claro, e devem, ter a colaboração de outras pessoas que os ajudem, mas que nunca façam o seu lugar.
Os pais são os primeiros modelos dos seus filhos, no que toca aos valores, afectividade, autoridade, respeito e amor. Com isto, facilmente concluímos que a educação sexual deve também começar em casa.
Assim, como ponto central considero que é fundamental que os jo-vens de hoje em dia sejam bem informados, alertados para as diversas questões da sexualidade (desde a necessidade do cuidado e da prevenção, das consequências dos actos, do respeito pelo outro e pelo “eu”) e apoiados devidamente de todas as formas possíveis (não só no seio familiar como nas escolas, hospitais, centros de saúde e centros de apoio especializados).
É com orgulho que digo que a mi-nha escola, Escola Secundária Carlos Amarante, se preocupa com estas questões da sexualidade e que procura dar aos seus alunos uma formação neste âmbito.
Para tal efeito, a escola, com o apoio de alguns professores que se disponibilizaram, tem vindo a desenvolver actividades que a nós, alunos, nos suscitam grande interesse e atenção, uma vez que nos é permitido aprender e tomar consciência dos vários problemas, não só sociais como a nível pessoal, na área da Educação Sexual, de uma forma divertida e não maçadora.
No primeiro período deste ano lectivo visualizamos o filme ‘Filadélfia’ nas aulas de Filosofia. Um filme excepcional, com actores fantásticos, que aborda temas muito polémicos e que nos deixa a pensar seriamente sobre diversas situações nele expostas.
Não se preocupando só com o problema da Sida, ‘Filadélfia’ foca a discriminação, o racismo e a homofobia, a dor e o sofrimento de alguém portador do vírus (a chamada “morte social” no filme, exemplificando) e as suas possíveis consequências nos mais diversos campos (desde o social, ao físico, ao psicológico) e procura informar as pessoas e retirar-lhe o receio que têm dos detentores da doença (medo do contágio pelo toque, por exemplo) e das possíveis formas de contaminação.
Já no término do período tivemos a oportunidade de assistir à peça de teatro-debate ‘Nem muito simples, nem muito complicado’. Tratava-se de uma apresentação dividida em duas partes: a primeira era composta pela apresentação de sete histó-rias relacionadas com a sexualidade que pretendia retratar os mais diversos problemas no dia-a-dia de um adolescente, a segunda era destinada a um momento de reflexão onde havia a hipótese de alterar duas das histórias que mais gostávamos de ver resolvidas, através do voto.
“Nem muito simples, nem muito complicado” possibilitou-nos a reflexão sobre várias problemáticas com que muitas vezes nos deparamos no nosso quotidiano, no relacionamento interpessoal. Levou-nos a pensar nas possíveis mudanças a serem feitas para que as situações apresentadas acabassem da melhor forma, o que nos fez reflectir, consequentemente, sobre os erros cometidos pelas personagens, alertando-nos assim para eles e para a necessidade de não os cometermos e de estarmos vigilantes para a possibilidade de eles virem a acontecer.
Foi, com toda a certeza, um espectáculo muito interessante e bastante formativo para todos nós, que como adolescentes que somos, temos a necessidade de tomar consciência dos problemas que podemos eventualmente vir a enfrentar. E como o futuro do mundo que somos e como pais que seremos é muito pertinente ter acesso a este tipo de iniciativas que são muito enriquecedoras.
De uma forma simples, cativante e criativa, a minha escola foi capaz de proporcionar momentos agradáveis de aprendizagem. Assim desejo que com o passar do tempo, todas as escolas dêem esta oportunidade aos seus alunos pois é muito importante.
A Educação Sexual é essencial ao crescimento de todos nós, por isso deve ser um direito de todos.
Uma sociedade informada e actualizada é uma sociedade portadora de um futuro feliz! E, o futuro começa já hoje…”

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