Correio do Minho

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Dor

Catalunha: pelo voto é que vamos

Conta o Leitor

2019-08-29 às 06h00

Escritor Escritor

Carlos Alberto Rodrigues

Dor
É Uma Dor que não quer desaparecer
Pior que a dor física
Como se de areia a escapar entre os seus dedos se tratasse
Dedos trémulos
Corpo e Mente que querem descanso
Estão fatigados dos dias repetitivos
Mas vazios
Dos dias que não chegam a Ser
Pela ausência que marcas em Ti
Quando sorristes pela última vez?
Será que te recordas de te ouvir dizer
Que amanhã será melhor que hoje?
Será que te recordas daqueles dias
Em que não tinhas nem dor nem medo?
Ah Mente Doente que quer pensar
Outra e outra vez num pensamento cheio de esperança
Mas nunca uma mente que mente que foge
E que demora em saber o que deve fazer
Pensa
És Ciente da culpa
Tem que reverter o jogo
Tem de vencer a dor dê por um der
Para voltar a ter Tudo de volta
O Amor que nunca faltou o apoio ou o Carinho
É um caminho que se faz caminhando.
É Uma dor Que Tanto Magoa os Outros
Mais do que a TI Próprio
Pensa e vence essa dor que te fustiga,
mas que te pode fazer voltar
E vencer essa dor que magoa mais os outros que a Ti...
Uma dor que persiste em não querer desaparecer
Parece que me quer levar com ela
Será que amanhã ainda será assim?
Será?
Deve chamar-se tristeza
A este estado de espírito que paira
Entre a dor e a melancolia
Deve chamar-se tristeza
A esta chama que se já se extinguiu
Outrora dinâmica que me impedia de estar quieto,
Sempre à procura de atos
E de palavras a refletir uma mente
Ocupada onde não havia lugar à inquietação
Que pusesse o meu coração a sofrer
Como tanto já sofreu muitas vezes sem merecer.
Apenas o cinismo pode ombrear contigo
Ó tristeza que trespassa o meu coração
E me repele aos pensamentos mais sombrios
Como que antecipando a morte anunciada
De uma mente que está há muito condenada
Ao suplicio e ao finito logo agora
Que me contentava apenas e tão só com um sorriso teu
Ou um carinho de mãe ou até a proteção de pai.
Queria tanto de novo ver-me envolto na magia
Que eram as histórias contadas por meu avô,
Sobretudo aquelas que aconteciam quando Jesus
Nascia para ajudar ao mistério
E manter também em nós a alma imaculada,
Longe ainda estava eu de sonhar sequer
Que viria um dia a padecer desse mal: Tristeza, dor.
Quanta tristeza há agora em minha vida
A cada despedida
A cada alma despida
Absurdo quando até amar traz tanta dor
E a saudade vem na maré dessa cor
Negra como a própria noite
Ou a viúva que chora de pranto
A mãe que perdeu o seu filho
às mãos da enfermidade
E que lhe rasgou o peito
Arrancou-lhe a alegria que o seu ser
Tinha trazido a uma vida tão vazia.
E agora?
Já distante vai o seu sorriso,
Agora é só pranto
Só lágrimas de saudade que não me deixam
Pela metade fica sempre o meu estado
Inquieto, sou agora do beijo e do abraço
Apenas lembranças
A minha tristeza faz o meu corpo doer
Mais do que a própria alma
A voz agora sai-me fraca
Já faltam as palavras que faziam às vezes de atos
Voltei a cair nas teias da tentação
Em que se tornou esta minha vontade em querer lembrar o passado.
Sim, eu tenho um medo
De acabar assim:
Com frio ou muito calor
O corpo já não consegue interpretar o meu espírito
No desejo tenho a dúvida
Na dúvida tinha o desejo
Quero apenas a noite
Que me embale até ao sono
Que pode ser eterno.
Já nada mais importa agora que tudo
Deixou de ter idade
Pai, Mãe, em vós bendigo
O amor nas coisas simples
Vós que tantas vezes tornaram o meu dia luz
Quando pensava na treva
E quantas as vezes que esvaziaram a dor
Da cruz que carregava
Sobre os meus ombros cansados e doridos
Serão sempre a minha âncora
O meu porto de abrigo
Para vós vai ficar a última palavra,
Aquela que se extingue com o meu cansaço
Que parte e termina quando afogar a dor
Pelo menos na partida
Quero um pouco de humor
Quero que cantem em meu funeral
Apesar de lá não estar presente
Prometo que vou assistir a tudo
Com a certeza que todos vão sorrir
Por me sentirem lá junto a todos vós
Queria tudo e mais se pudesse
Sim, finalmente sorrir para que todos
Julguem que também eu fui feliz
E alguma vez foi mentira?
Não. Um tempo houve em que fui feliz
Demais até, julgo eu
Sim, escrevi estes tristes versos para ti,
Sempre que te sentires assim, triste.
Triste assim quero apenas ser uma lembrança.
Triste assim sou a ausência de paz
Um possível sorriso passará a pranto.
Dança comigo uma ultima vez
Tão triste assim sou apenas cansaço
Desta vida que já não dá tréguas,
Apenas uma miragem.
Agora apenas sinto vontade em estar longe
De tudo e de Todos para que não sofram
Como eu sofri
Últimos momentos que não sejam, peço, apenas dor ou tristeza.
Venham de lá as gargalhadas, os copos e os corpos
Dancemos então esta dança
Para sempre ficar sem o medo de perder
Sou amor que alguém um dia sentiu no peito
Sem jeito, queria tudo perfeito
Nem que seja Eternidade
Para te envolver nos braços.
Para Sempre.

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