Correio do Minho

Braga, sexta-feira

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Desempates, prolongamentos e tempos de compensação

Muro de Gelo

Ideias

2013-06-28 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

Ultimamente o assunto é momentoso e com toda a acuidade, até pelos seus eventuais reflexos e efeitos controversos na sua intrínseca oponibilidade.

No futebol, mormente em certos jogos e competições, toda esta problemática se tem vindo a revelar importante e com sequelas, aliás sempre desoladoras pelo seu inesperado, sendo certo que daí têm advindo tristezas e alegrias, levando ao desespero ou a uma loucura de felicidade e entusiasmo milhares e milhares de pessoas.

E se um jogo tem, por regulamento, um determinado tempo de duração e o resultado final traz sempre consequências, é de todo incontornável que ao tempo regulamentar o árbitro deva acrescentar mais uns minutos como compensação pelas paragens havidas com lesões, outros motivos e substituições operadas. Tempos de compensação onde, valha a verdade, ultimamente tem havido autênticos cataclismos, premiando uns, punindo outros, mas de todo em todo alterando um resultado que se desejava e até já se festejava. Dando a vitória, um empate ou a derrota que, embora imprevistas e surgidas inopinadamente, não deixam de ter a sua perversidade pelos seus consequentes reflexos nas classificações e conquistas de campeonatos e taças, com os últimos minutos do jogo a transformarem-se para uns em lágrimas de desespero, sorrisos amarelos e risos convulsivos e para outros, por contraste, em sorrisos abertos, risadas e gargalhadas de felicidade.

Mas um tempo de compensação é sempre algo de expectável, previsível e até natural pois não passa de uma “resposta” ao usual “jogo” das lesões, por norma fictícias, às substituições normais ou ditadas para quebrar ritmos e fazer correr o tempo, às demoras nas saídas do campo, marcação de livres, pontapés de baliza e nos lançamentos pela lateral, aqui muitas vezes com a “cumplicidade” dos apanha-bolas “residentes”. Aliás neste domínio ninguém se pode queixar porquanto todos têm culpas no cartório, vingando as “indicações” e os “jogos de bastidores” em que as manhosice, habilidade, mentira e falsidade se sobrepõem às verdade e realidade desportiva.

Jogos de bastidores iguais aos da política, onde também se verificam desempates, prolongamentos e tempos de compensação, mas em que por vezes as realidades e subjacentes verdades se configuram como algo de aleatório, perturbador, condicionado e até chocante, sobretudo quando um desempate se faz através de grandes penalidades. Por se dar voz e valência a todo circunstancialismo fortuito e aos factores sorte, estado físico-anímico, frieza de ânimo, maturidade e serenidade dos intervenientes, para já não se falar no remate cuja bola bateu nos postes ou trave, pelo que nos interrogamos se não seria mais justo que fosse o próprio árbitro a decidir o vencedor, mesmo com recurso da moeda ao ar. Assim, note-se, ter-se-ia até sempre um desempate mais imparcial e correcto do que ... num outro qualquer “voto de qualidade”.

Mas tudo isto, diga-se, não se se deve a qualquer exacerbado clubismo ou reacção face a um ou outro desaire, até porque muito mais do que o futebol nos preocupam a situação do país, o impasse político em que se vive, o estado caótico e convulsivo a que se chegou, etc., etc., e o inusitado e insólito “repentismo” de certas decisões políticas. Como no caso das Convertidas, com o desempate a ser desfeito por um “voto de qualidade”, mas que tem sugerido “jogos de bastidores” e de pronto se tornou num grande “embrulho” devido às estranha ligeireza, incompreensível prontidão e inexplicável rapidez do seu processamento. E com uns tais “contornos” que alimentam e legitimam incontornáveis suspeitas, veladas acusações e esconsas dúvidas.

E o “desempate”, aliás conseguido com o voto de qualidade (!?) de quem presidia face a uma ausência de pretensa “imaculabilidade”, logo muito naturalmente nos transportou para o futebol e seus jogos de bastidores. Aliás um voto de qualidade que, apesar de normal e legalmente válido, até já era expectável e previsível na dinâmica do “ tempo regulamentar” e “prolongamento”, porquanto enquadrado e “concertado” numa conjuntura de cor e de um róseo e avalassador passado mas já a “mergulhar” nas águas de um futuro em continuidade. Do agrado de alguns “jovens turcos” do poder.

Mas o caso das Convertidas, que até já deu azo à crónica “Qual é a pressa?” de alguém que sente, vive e defende a democracia e os valores de Braga, perfila-se como uma das realidades onde quaisquer “imaculabilidade”, “pureza” e “inocência” serão sempre difíceis de descobrir dado seu envolvimento político e especial ADN, por mais que se ande de lanterna na mão à sua procura e se “cozinhem” estudadas “ausências” e futuras “isenções” do judicial.

Aliás toda e qualquer “imaculabilidade” está e continuará em crise, gerando e alimentando suspeitas e controvérsias, enquanto se verificar a “ausência” de um cabal esclarecimento, explicando-se, mas com verdade, os porquês das insistência e rapidez em se querer resolver agora o caso quando se avizinham eleições. Até por todo um “odor” suspeitoso que parece emanar de secretos e concertados conciliábulos.

No entanto, e apesar de tudo, ainda se tem a esperança de todo um aclaramento da situação, confiando-se que o Amanhã seja mais fértil e rico em verdades. Neste e ainda em muitos outros casos, temas e situações a esclarecer e a explicar devidamente, tal como a situação actual e o aproveitamento real, concreto e rentável do antigo quartel da GNR, o porquê da não indicação do edifício do antigo Tribunal para a Pousada da Juventude ( seria menos dispendioso, viável, central e de pronta rentabilidade, ou já não é da Câmara? ), as razões, mas em verdade, que na realidade subjazem a tão inesperada e apressada vontade em “destruir” mais um pulmão verde da cidade, o que existe entre as ruas do Sardoal, S.Gonçalo, Guadalupe e Avenida, e quem é que irá ter lucro nisso.

Não se excluindo que tal tenha que ver com dinheiros e orçamentos da Câmara, cujas dívidas reais ainda se desconhecem, a verdade é que os bracarenses, como contribuintes, não querem ter sempre o papel de “corno”, que é o último a saber, eles que até ainda ignoram como ficou, se é que já teve fim, o caso dos cheques na Sotube.

Aliás, quem não seja da política e até repudie o seu ADN, não deixará nunca de desejar e defender “imaculabilidade”, “inocência” e “pureza” nas acções e vida para que qualquer vitória seja tão só resultado de um jogo “limpinho, limpinho, limpinho”!...

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