Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Casos avulsos

Um retrato do Minho no portal Infoescolas

Ideias

2018-03-09 às 06h00

Borges de Pinho

Marcelo comentou assim o facto de ter vindo a público o modo como Centeno se “desunhou” para ir com o filho para o camarote do Estádio da Luz ver o jogo entre o Benfica e o Porto, um caso trivial que só gerou polémica face ao conhecimento do email de 24.3.17 do filho do presidente do Benfica a dizer : «Pai, já cá canta!!! Sem o teu empurrrão não íamos lá. Beijo grande». Uma polémica que o C.M. de 8.1.18 alimentou ao escrever que a “PJ investiga perdão fiscal após cunha”, assim dando nota duma queixa do filho sobre a demora num processo atinente a umas isenções fiscais, tudo num contorno de temporais coincidências. Mas que não justificava a “agressividade” tida contra o MP por um comentador cujas “génese”, “histórico político” e “benfiquismo” não abonam tal intervenção, para mais quando se “calam” pormenores. Aliás, diga-se, neste período histórico de “império gerigoncino”, a desenrolar-se num mundo de risíveis e utópicas intervenções, caricatas e ridículas “afirmações”de direitos, loucuras e fanfarronadas, vêm ocorrendo, por mera coincidência, crê-se, casos e casos de “empurrões” entre “políticos” e seus “próximos”, em que o “sortido” nem sempre é assim tão “avulso”.
Como o ocorrido na Fundação «O Século», com “cunhas e jantares na mira da PJ” (JN, 8.1.18), buscas na sede, recolha de documentação e actas na contabilidade e recursos humanos, e a investigação centrada em actos praticados entre 2012 e 2017, com um presidente em funções há cerca de 6 anos, mas de consciência tranquila, diz. Um tal Emanuel Martins, deputado do PS entre 1999 e 2005 e vereador em Oeiras com Isaltino Morais, que “rejeita irregularidades” quando a denúncia refere contratação de familiares directos e “em causa estarão dois filhos, duas noras, dois enteados e a ex-mulher”, que “confirmou a relação de parentesco com alguns funcionários”. Inocentes, dizem-se, como é usual nos “embrulhos” e “casos avulsos” que têm por detrás políticos ou quejandos, tardando só em saber-se se as suspeitas de pagamentos de despesas pessoais, uso de cartão de crédito, etc., se concretizaram.
Mas não morre solteito este “caso avulso” de apadrinhamento e contratação de familiares pois o açoriano César, presidente do PS, também já o fizera, sendo que o “esquema”, recorrente e habitual, é muito usual entre políticos, com o militante socialista Florival, presidente de três IPSS de Setúbal, “O Sonho”,” A Joaninha” e “Os Pirilampos”, a ser tramado pela ex-mulher e filha que lá trabalhavam, sendo suspeito de fraude na obtenção de subsídio, peculato, etc., e constituído arguido (CM, 25.2.18). E mais um “caso avulso” de “empurrões político-familiares”!...
A suscitar reflexão também como “caso avulso” foi a reunião em Tróia com “todos os intervenientes judiciais” de onde poderia ter saído “um dos mais importantes pactos da justiça”. Juízes e procuradores, de acordo, “querem regras claras para premiar arrependidos que ajudem a esclarecer crimes” e, como era de esperar,“os advogados resistem à mudança na lei” (CM 5.1.18), continuando duas questões polémicas a “perturbar” e a “travar” o andamento da Justiça: “a criminalização do enriquecimento ilícito, no caso dos políticos, e a consagração formal da colaboração premiada”(id.). Mas é difícil “vencer” a usual “contaminação” e “interac- ção” de advogados e políticos. No parlamento, as leis são “feitas” por advogados que “vestem” a toga de políticos e “servem” seus interesses profissionais, e outros “vivem” da governação. Como “classe” privilegiada, de enfoque, poder e projecção social, preocupam-na mais tais interesses do que o povo e o país, sendo que tais temas, perversos, “lesavam-nos” na sua liberdade de angariação e “silagem" de dinheiros, bens, pareceres, sucessos profissionais e... “estranhas” fortunas.
Mas de onde menos se esperava surgiu mais um “caso avulso”, e de insensatez, desboco e falta de decoro.
Em Belém, nos encontros com escritores, L.Antunes entrou a “desbocar-se” em pormenores do que lhe teria feito, aos nove anos, um professor de moral. E se nos chocaram as palavras que “pôs” na boca do professor, “expondo-as” ante os alunos e alunas de uma escola da capital, “resta-nos” a imagem da mão suada e gorda no joelho e a subir, diz ele, pelos calções. Como diria o Diácono Remédios, não havia necessidade!... Mas tal lembra-nos o “caso avulso” havido com Marcelo, na Ilha do Príncipe, recebendo “uma mão cheia de ervas com poderes curativos”, que “acabou por ser surpreendido com uma das plantas: «Esta chama-se micocó e, entre outras coisas, aquece o material», disse um local provocando o riso da comitiva”(C.M.23.2.18). Só não se sabe se vai usar tal planta na função, e ... na “geringonça”...

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