Correio do Minho

Braga, sexta-feira

- +

Brincadeiras de Carnaval

Muro de Gelo

Ideias

2012-03-02 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

“Há magistrados, polícias e funcionários (da justiça) pés descalços, a passar fome”, disse-o a Morgado em entrevista ao canal TVI24 (JN, 31.1.12), uma afirmação que só pode ser entendida como brincadeira e anedota da quadra e festejos carnavalescos. Uns “festejos” que desde há uns tempos se instalaram em Lisboa e na área da PGR e seus apêndices, com a Morgado porfiando em continuar a ser a “rainha” do respectivo “corso” com uma máscara de impoluta e competente inteligência, talvez já preparando o terreno para substituir o Monteiro.

O que para ela, diga-se, nem sequer se compagina com a “humildade” (!?) e “apagamento” (!?) de quem se tem visto projectada na vida pública e judicial, e desde há muito, graças a toda uma habilidosa e reconhecida cobertura mediática que não se coibe de “arremessar” discutíveis virtudes e competências. Mas que engole em seco e se “cala” perante o falhanço dum cozinhado “Apito Dourado” em que de todo se empenhou e esfalfou num avantajado e nunca explicado dispêndio de dinheiros públicos com viagens, ajudas de custo, estadias, diligências, recursos, mordomias, etc., de toda uma “especial” equipa.

E a verdade é que ninguém até hoje pediu contas do desastroso “falhanço” desta equipa especial criada pelo Monteiro, por ela chefiada e levada ao colo por uma certa e conhecida comunicaçao social, como aliás, e muito bem, nos dá nota o PGD do Porto em entrevista ao JN de 29 de Janeiro.

Claro que a laureada e “super” Morgado foi entrevistada para a TVI24 no dia seguinte, onde, devido ao endémico “corrimento” mediático que desde há muito a envolve e acompanha, teve oportunidade de dizer bacoradas, como a acima referida, de apodar a justiça de “monstro administrativo” alimentado por uma “máquina de gerar atrasos” a que importa “resgatar credibilidade”, e de discordar do anunciado novo mapa judiciário, formulando mesmo o desejo de que “não passemos de um mapa judiciário do tempo de D.Maria II para o tempo das lancheiras e da casa às costas”. Isto até porque “os magistrados não podem ser itinerantes senão não podem responder pela qualidade dos seus trabalhos”, e, disse-o, há-os até já a passar fome.

Se o ridículo matasse, a Morgado teria caído redonda, mas o certo é que tal também não ocorreu aquando dos ridículos e ofensivos queixumes de Cavaco face aos cortes nas reformas. Mas se é inquestionável que os magistrados, como aliás todos os cidadãos, terão de enfrentar a crise e conviver com a austeridade, crê-se que o simples facto de muitos deles terem de abdicar das usuais idas à neve no Carnaval, das habituais longas viagens e estadias no estrangeiro, do gosto por carros de marca e de alguns outros “luxos e mordomias”, de modo nenhum os projecta para as reais situações em que muitos portugueses se encontram, sem emprego, com curtos e “pornográficos” vencimentos ou reformas, endividados, e mesmo passando fome.

O que retira toda valia e o crédito à bacorada e “lata”, como magistrada, da própria Morgado.
Mas é óbvio que isto de credibilidade e de entrevistas tem sempre muito que se lhe diga, sendo inquestionável que não são quaisquer entrevistas com os usuais “holofotes” dos media que acrescentam competência, idoneidade, credibilidade, sensatez e verdade às palavras e figura dos entrevistados, designadamente quando é previsível e se constata todo um esconso intuito de projecção duma imagem ou do seu branqueamento em ordem a ultrapassar o incontornável “cinzentismo” de certas acções e de uma função. Para mais quando em surdina ou às escâncaras evolam críticas e observações.

Aliás a entrevista do PGR à SIC a 14.2.12 (?) não passou de uma brincadeira carnavalesca “feita por encomenda” já que se perfilou toda ela tão só apostada em limpar a imagem do Procurador mais discutido, inepto, contestado e controverso dos últimos tempos sendo um facto que as mais concretas realidades e verdades de todo um mandato foram sendo habilidosamente torneadas e escamoteadas por um discurso em que se procurou fazer vingar a imagem de um “beirão“ competente, impoluto, independente, relutante e até imune às pressões políticas que, disse-o, nunca teria tido.

Simplesmente é de todo incontornável que a realidade dos factos, o desenvolvimento em concreto de certos processos com arguidos políticos ou próximos e os casos que geraram e alimentaram inquéritos e outras intervenções da máquina do MP, aliás “enlameando” uma magistratura, de todo o contradizem, assim minando e anulando uma independência política que se teimou em apregoar, mas que o povo sempre teve dificuldade em “engolir”.

Até porque as realidades acabam sempre por resvalar para o assertivo e o inultrapassável da verdade, mormente quando os factos, os inquéritos, as posições públicas e os actos o desmentem.

Claro que só se manterá até Outubro, espera-se, mas é justificadamente de se temer que tenha ganhado raízes a “castração” do MP nortenho e da província pelo poder feudal de toda a “corte” da capital, suas “damas”e “conselheiros”, e se vá continuar a pensar o país apenas através de Lisboa e dos iluminados do Palácio do Duque de Palmela, multiplicando-se e alargando-se cada vez mais os “morgadios”, as “coutadas” e as “fazendas” e “parindo-se” sempre “equipas especiais”, aliás um incontornável insulto para quem se vem entregando com competência, dedicação, seriedade e sem servilismo político ou outro, à defesa e cumprimento da lei.

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.