Correio do Minho

Braga,

Bragadigital - um projecto (des)encalhado?

Amigos não são amiguinhos

Voz às Escolas

2010-03-09 às 06h00

Paulo R. Sousa

Num tempo em que valores como honra e dignidade estão ausentes do vocabulário de muitos dos que se cruzam diariamente connosco, alimentando estes a opinião pública com ruídos de inverdades que têm por objectivo, apenas e tão-só, sacudir a “água do seu capote” para ficarem “bem na fotografia” aos olhos dos cidadãos, há que levantar a cabeça, dizer-lhes que “não é assim” e contar a verdade aos leitores.

Vem isto a propósito do projecto Bragadigital e dos seus avanços e recuos. Acreditem, sem qualquer tipo de ironia de minha parte, que estava a evitar falar neste assunto. Mas é inevitável, por muitas e boas razões, contar a história do Bragadigital nos capítulos julgados necessários, tendo em conta o limite de espaço de cada crónica quinzenal.

É que, enquanto cidadão português e bracarense, estou a ficar muito preocupado e aborrecido com duas coisas. A primeira consiste em continuar a ouvir a pessoas com alta, média e mais baixa responsabilidade, que o Bragadigital acabou. A segunda é ouvir dizer a essas mesmas pessoas que não sabem o que é o Bragadigital, porque este projecto não foi suficientemente divulgado.

Têm razão num aspecto. Eu também acho que o Bragadigital deveria ter sido mais divulgado. Aliás, foi elaborado e apresentado, em tempo útil, um plano de marketing muito bem estruturado. Mas não foi implementado, por decisão alheia à minha vontade. No entanto, as pessoas que dizem não saber bem o que é o Bragadigital não podem afirmá-lo, porque tiveram o privilégio de aceder a toda a informação. Porventura, têm andado muito distraídas.

A uma e a outra destas questões irei respondendo, contando toda a história. Para o que juro, desde já, dizer toda a verdade e apenas a verdade, manifestando-me disponível para qualquer esclarecimento adicional que me seja solicitado. Mas vamos então à história que “o tempo ruge”, célebre frase de um filósofo do povo de cujo nome não me recordo.

Pois bem: em Fevereiro de 2006 fui convidado, pelo Município de Braga, para assumir a coordenação do projecto Bragadigital, na qualidade de consultor, ou seja, como prestador de serviços. A escolha da minha pessoa foi, de imediato, ratificada pela Universidade do Minho e pelo Idite Minho, em reunião do Consócio informal que tinha sido constituído, uns anos antes, juntamente com o Município de Braga.

Para quem estiver menos informado, aconselho a procurar a definição de consultor, para confirmar que esta função não dispõe de competências decisórias. Acontece que o Bragadigital não tinha, nem tem ainda, personalidade jurídica própria, sendo curiosamente caso único entre os 30 projectos nacionais de Cidades e Regiões Digitais. Assim, eu só poderia mesmo ser consultor, apesar do título de Coordenador ou Gestor, atribuído pelo POS_C (Programa Operacional da Sociedade do Conhecimento), enquanto entidade financiadora destes projectos.
Antes de entrar neste “barco”, como pessoa que procura manter-se razoavelmente informada, já tinha ouvido falar no Bragadigital, embora detendo apenas uma vaga ideia do que se pretendia com este projecto. Contudo, estava convencido de que, dado ser um projecto falado desde 2001, estaria já em fase de execução. Puro engano!

A verdade é que, logo após assumir as funções de Coordenador, fui confrontado pelo Gestor do POS_C com a necessidade imperativa de apresentar, no prazo de 3 semanas, um dossier formal de candidatura, o que ainda não tinha sido feito. Ou seja, o Bragadigital não tinha ainda obtido aprovação formal, não havia financiamento definido e garantido, nem projectos aprovados com base num imprescindível Termo de Aceitação, verdadeira garantia para se poder avançar. Pensei eu: afinal temos o “barco encalhado”. Reunido o Consórcio, foi decidido avançar a todo o vapor e preparar o dossier de candidatura para o apresentar na data exigida.

Para elaborar esse dossier, dispunha de uma equipa de duas pessoas, que já estavam adstritas ao projecto, antes de assumir funções, mas que estavam, digamos, “em banho-maria”, a aguardar por desenvolvimentos. Ora, um trabalho daquela envergadura exigia uma colaboração mais alargada, até porque, tendo eu alguma preparação e experiência como gestor (é o que dizem as más línguas), não possuía, no entanto, competências técnicas específicas nas áreas tecnológicas dos sistemas de informação e comunicação. Tinha, pois, que recorrer à ajuda de quem, supostamente, deteria pelo menos algumas dessas competências técnicas.

Julgo que esta minha atitude não revelou nada de especial, pois apenas se tratava de uma postura de bom senso. E, sendo o Bragadigital um projecto promovido pelo Município de Braga, solicitei o apoio da pessoa (por enquanto não citarei nomes) que, pelas funções exercidas, seria a mais indicada para o efeito. Mas obtive a escusa à prestação desse apoio, justificada pelo excesso de trabalho que já tinha com as actividades que desenvolvia.

Curiosa e espantosamente, esta mesma pessoa afirmou, recentemente, que não conhecia a maior parte dos projectos integrantes do Bragadigital, apesar de ter sido membro de todos os júris dos concursos públicos ocorridos e tendo sempre a disponibilidade de acesso a toda a informação a prestar pelo Gabinete Bragadigital. Só pode ter andado desatenta nas “aulas” ao longo deste tempo e, por isso, terá que “meter explicações”. Mas, com uma ajuda aqui e um apoio acolá, com muito trabalho e suor (apesar de estarmos no inverno), lá conseguimos preparar o dossier e apresentá-lo no prazo estabelecido.

Por hoje, o meu “tempo de antena” está a chegar ao fim. Prometo voltar, daqui a 15 dias, a não ser que o “Correio do Minho” queira antecipar a periodicidade dos episódios. Entretanto, gostaria de vos dizer, em jeito de reflexão, que um projecto deste cariz tem um tempo em que decorre o investimento ou instalação e um tempo em que ocorrerá a exploração ou funcionamento. E, também, que gostaria de contar convosco para o resto da história, para o que adianto o sítio da internet www.bragadigital.pt, para, assim, poderem conhecer melhor o Bragadigital.

A terminar, sempre vos digo que pior que os que não sabem são aqueles que não querem saber. É que pode ser mais cómodo, dando menos trabalho e preocupação. Mas nem sempre resulta.

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