Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Bracarenses perdem a Confiança?

A serenidade dos nossos lugares sagrados

Escreve quem sabe

2018-09-18 às 06h00

Margarida Pereira

Imagine que tem várias casas. Se lhe propusessem que vendesse uma delas por quatro milhões de euros, certamente aceitaria a proposta. No entanto, se, de seguida, lhe dissessem que teria de investir esses quatro milhões a requalificar a casa do seu vizinho, continuaria a fazer sentido? Perderia o seu imóvel, para investir em local alheio?
Acreditamos que, por muito boa pessoa que seja, ninguém aceitaria tal proposta. Então, porque é que vamos permitir que a Câmara Municipal de Braga o faça de ânimo leve? Foram estas, as declarações recentes da CMB, quando Ricardo Rio assume o investimento no S. Geraldo, um edifício que pertence à Arquidiocese de Braga, e vem agora declarar a venda da Fábrica Confiança, desculpando-se com a falta de verbas.

Fazendo uma breve reflexão sobre os últimos anos de história deste imóvel, que data de 1894, é quase imediata a lembrança das discussões públicas aquando a sua aquisição por parte da CMB. O facto de ser o único edifício da “Indústria Bracarense”, que chegou até aos nossos dias, foi uma das principais razões para a sua aquisição. Nessa altura o actual edil bracarense, que fazia parte da oposição, valorizou e apoiou também a aquisição da Saboaria e Perfumaria Confiança, dando lugar a uma expropriação do imóvel para fins culturais. Perspectivavam-se grandes ideias para a requalificação desta, muitos cidadãos deixavam-se inspirar e apresentavam as suas ideias num concurso público, que teve resultados apresentados. Cidadãos esses que hoje se sentem defraudados, pois dedicaram parte do seu tempo, e do seu trabalho, a uma causa, a preservação do imóvel. Hoje apercebem-se que tudo não passou de uma ilusão…uma miragem. Este foi o sentimento expresso pelos diversos concorrentes que marcaram presença no debate, organizado pela Junta de Freguesia de S. Victor, que tinha como mote “Qual o futuro para a Confiança?”.

Foram muitos os bracarenses que se mostraram interessados na salvaguarda da Confiança. Arriscaríamos dizer que eram tantos quantos aqueles que, em 2014, se juntaram ao município para comemorar os seus 120 anos, abrindo as portas da Saboaria e Perfumaria Confiança, homenageando os seus trabalhadores. Terá a Confiança perdido a sua simbologia, nos últimos quatro anos? Ou estaremos antes a falar de uma alienação que vai muito além de um imóvel e passará antes pela alienação dos deveres cívicos?
Talvez tivéssemos resposta, a esta ou outras questões, se a CMB tivesse comparecido no debate que classificou como “despropositado”.

Apesar de estarmos sem respostas, a JovemCoop, assim como a Junta de Freguesia de S. Victor, não irá baixar os braços e deixar a Confiança cair em esquecimento. Enquanto for possível, iremos valorizar o imóvel, levando-o até às pessoas, como aconteceu no desfile das freguesias integrado na Semana do Mundo Rural, onde, desafiados pela Junta representámos o mundo fabril e o universo industrial que existia em S. Victor. A Junta de Freguesia de S. Victor, durante o debate no qual foi realçado o verdadeiro valor da Confiança, disponibilizou ainda um abaixo assinado a todos os interessados, que irá fazer chegar ao nosso presidente da Câmara.
Esperamos que todas as acções sejam tidas em consideração, pois só com a força do povo é que os bracarenses não perderão a Fábrica, porque a confiança, essa já foi quebrada.

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