Correio do Minho

Braga, segunda-feira

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Bicharada

Escrever e falar bem Português

Ideias

2017-12-15 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

Não se querendo entrar em polémica com os bichos e as bichas que vêm infestando este país, muito menos com o PAN daquele deputado que se vem apresentando como “filho” ou “aborto” único de um partido (!?) parido nesta insólita e abrilesca democracia, a verdade é que não queremos de modo nenhum entrar em discussão com a Francisca que ”filosofou” e “jurisdicionou” sobre coisas e animais para afirmar os direitos destes últimos, os bichos . E de igual modo não pretendemos debruçar-nos sobre a problemática do “género” no mundo da bicharada, já que para nós tanta importãncia tem um cão como uma cadela, um gato ou uma gata, isto é tanto nos preocupam os bichos como as bichas, e qualquer seja a classe, estirpe, raça, natureza e qualidade. Aliás, e é importante que expressamente se exare e se sublinhe, o tema em causa nada tem que ver com as eventuais “interpretações” ou “leituras” que a palavra bicha possa suscitar entre os leitores, apenas se lembrando e se reafirmando que no Norte as bichas para o metro, o autocarro, as entradas num espectáculo ou repartição, etc., não passam de filas de pessoas (homens, mulheres e crianças) que desejam usufruir de tais meios de transporte, espectáculo ou serviços, acentuando-se que para nós bicha ou fila não passam de vocábulos de igual peso, idêntico significado e equivalente valia. Para que conste!...
Feito este preâmbulo, que de todo se impunha, importa referir e registar alguns casos insólitos ocorridos com bichos e bichas, começando por se aludir à problemática dos ditos em qualquer agregado familiar, e a já muito natural visão de um bicho homem, com um saquito de papel na mão, haja sol, chuva ou neve, e com horário fixo, a levar a passeio um cão ou uma cadela para que façam as suas necessidades. Mas os cães do agregado Cabrita, actual Ministro da Administração Interna, esses, então, vêm sendo “famosos” e “falados”. Começando-se pelo Quico, o cão da esposa Ana Catarino, a Ministra do Mar, o bicho a certa altura desapareceu e deu azo a referências, notícias e pedidos de ajuda na Net e mais meios sociais, preocupando a dona e naturalmente o povão, já que era o cão da ministra, de momento desconhecendo-se se já voltou ao aconchego da dona e se foram pagas quaisquer alvíssaras a quem o encontrou. Mas as preocupações nesta área não desapareceram totalmente porque entretanto outro cão, o que vinha usufruindo e protegendo a casa de Eduardo Cabrita, no concelho de Santarém, quis mostrar a sua personalidade e os seus direitos e passou a ladrar desalmadamente e a ficar muito agitado com os militares da GNR que aí faziam segurança, naturalmente incomodando a família. E a um tal ponto, diga-se, «que a situação deixou os militares a fazer segurança ao local na rua ou dentro do carro, sem acesso a casa de banho - têm de usar as instalações de uma colectividade próxima - e sem um local para fazerem refeições quentes” (JN, 10.11. 17). Em tão curiosa notícia, aliás revelada pelo jornal «O Mirante», dizia-se ainda que assim “os militares ficam em risco, já que, muitas vezes, estão sozinhos naquela zona isolada do concelho de Santarém”, tendo o caso até motivado uma intervenção da APG/GNR junto do Comandante Geral. No entanto, e para sossego de todos, depois teria sido “permitida aos guardas a utilização de uma casa de banho junto à piscina do ministro”, e, já posteriormente, tomou-se uma insólita e radical decisão: o ministro e família passaram a ocupar um apartamento já em zona da PSP,que então passou a fazer a segurança.
Resolvido que está o problema, impõe-se-nos concluir que o bicho, neste caso um cão, eventualmente um Rotteweiler ou outro de estirpe “afidalgada”, um recorrente ladrador de sensibilidade e gosto apurados, conseguiu ser protagonista nesta história e perturbou todo um esquema oficial de segurança, além de revelar, saiba-se lá porquê, não gostar muito da GNR, tendo levado os donos a mudar de residência e a colocar-se sobre a protecção e segurança da PSP, quiçá mais acessível, discreta e menos militarizada. Mas pensando melhor, o caso em si até nem sequer nos causa estranheza, conjecturando-se muito naturalmente que o animal tenha um feitio difícil, agressivo e assustador, porventura devido ao convívio e contactos com o seu dono, com cuja personalidade e imagem, severa e nada risonha, se teria “amoldado” e tentado “copiar”. Sem desprimor nem ofensa, é perceptível de todos que Cabrita, que aliás já conhecemos desde os seus tempos na Justiça, “cultiva” uma imagem séria num rosto em si mesmo severo e rigoroso, e apresenta-se quase sempre “com cara de poucos amigos”, como diz o povo. O que se torna até um pouco assustador, já que todos ainda têm na memória aquela sua disputa no Parlamento onde pouco faltou para que entrasse “em vias de facto” com um governante (!?) que era ouvido em inquérito parlamentar a que o próprio Cabrita presidia. Ficou na memória de todos a sua atitude lamentável, insólita, de força, de rigidez e intolerância e até de agressividade ao procurar retirar o microfone da frente do governante (?) que prestava declarações. Numa disputa de mãos e braços que quase degenerava em “agressão” física, o que se chegou a temer, admitindo-se que se o ocorrido era com o Santos Silva, que disse que “gosta de malhar na direita”, era incontornável que “saltaria” o microfone e que o o opositor não escaparia a um encontrão ou mesmo murro. Feitios !...
Continuando a falar-se de bichos, não podemos deixar de referir a lagarta que, “vivinha da silva”, passeava no prato de uma aluna de uma Escola pública de Braga, e que mereceu uma apoteose pública com a sua imagem a ser reconhecida e vista após fotografada por um telemóvel, tendo suscitado comentários, ataques e referências à má alimentação servida nas escolas. O que, diga-se, nem foi mau de todo e até podia assentar numa razão de peso: seria até uma forma de demonstar e defender a cultura biológica nos legumes, que, não fazendo mal aos bichos, também não fará mal a quem os usar e os comer. Só terá de se ter o cuidado para não “trincar” a bicha, molestando-a, nem usar o telemóvel já que tal obrigaria o PAN a intervir em defesa dos direitos dos animais, porque a lagarta não só tem direito à sua personalidade como ainda à sua liberdade de passear por um prato entre uma salada, e sem ser incomodada com fotografias. Os directores escolares, dizem, ficam incomodados e sujeitam os alunos violadores dos direitos da lagarta a um processo disciplinar, porque quando se está no refeitório é para comer e calar, e nada de usar o telemóvel. Mas aqui, diga-se, temos sérias dúvidas de quem realmente assumiu a forma e o comportamento de bichos ou lagartos.
Até porque quanto a bichos e bicharada, apenas há que ter os olhos postos no Parlamento e nos partidos, e seus elementos. Uns são mais “mexidos” do que outros, outros não deixam de continuamente exibir uma fisionomia animalesca nos esgares, nos comentários, nos apartes e intervenções, sendo certo que na sua maioria agem e comportam-se como verdadeiros animais, deparando-se assim com hienas, e seu peculiar e agoirento riso, com leões e rugidos, sempre de juba altiva sem que nada o justifique, para já não se falar nos camaleões, e muitos são, raposas, macacos, ursos e sobretudo asnos, que predominam. Aliás basta vê-los, estudá-los e estar atento às suas “graçolas”, “carantonhas”, “vozes”, “rugidos” e depois .... classificá-los sem diferenciação de género, como se impõe. E sem telemóvel!..

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