Correio do Minho

Braga,

As novas cores da biotecnologia: um contributo para a bioeconomia, a sustentabilidade e a saúde

Quando eramos anjos

Ensino

2019-03-13 às 06h00

Ana Cristina Rodrigues

Decorreram, no passado dia 26 de fevereiro, as 7as Jornadas de Ciências Biotecnológicas, este ano dedicadas ao tema “Biotecnologia e Bioeconomia”. Este evento, integrado na 4ª Semana das Ciências da Vida e da Terra da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (ESA-IPVC), contou com a presença de oradores convidados, que permitiram reforçar as parcerias estratégicas nas novas áreas da licenciatura em Biotecnologia da ESA-IPVC, a biotecnologia industrial e a biotecnologia da saúde, também designadas por biotecnologia branca e vermelha, respetivamente.
Vitor Vasconcelos, Diretor do CiiMAR – Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto, onde coordena a equipa de Biotecnologia Azul e Ecotoxicologia, abordou as aplicações biotecnológicas das microalgas.

Esta equipa mantém uma coleção de culturas de cianobactérias que já deu origem a uma variedade de novos produtos naturais com potencial biotecnológico em aplicações que vão desde a indústria farmacêutica até à indústria naval. A obtenção de corantes naturais a partir de algas, como alternativa aos corantes sintéticos usados na indústria têxtil, cruza-se com os projetos que o CeNTI – Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes tem vindo a desenvolver, em parceria com os players da cadeia de valor. Entre eles, Diana Sousa destacou o projeto PICASSO que visa a utilização de compostos de origem natural extraídos de plantas e cogumelos na coloração e funcionalização de têxteis. Como não poderia deixar de ser, a indústria vinícola, por representar umas das aplicações da biotecnologia industrial mais relevantes em Portugal, foi também alvo de atenção nestas Jornadas, com a apresentação do projeto Terr@Alva por Sofia Rodrigues, docente da ESA-IPVC. Este projeto pretende avaliar o efeito do terroir nos vinhos da casta Alvarinho através do isolamento e identificação de leveduras autóctones, bem como da caracterização química e sensorial de vinhos Alvarinho produzidos em diferentes regiões. Joana Alves, investigadora do Centro de Engenharia Biológica da Universidade do Minho (CEB-UM), deu ênfase às técnicas de identificação de microrganismos, enquanto mediadores de processos biotecnológicos.

As aplicações da biotecnologia na saúde foram o tema central das comunicações de três investigadores da Universidade do Minho. Alexandre Barros, investigador no Grupo 3Bs - Biomateriais, Biodegradáveis e Biomiméticos e Diretor Executivo da HydrUStent, deu a conhecer o trabalho de inovação biotecnológica desen- volvido por este grupo no design de dispositivos médicos biodegradáveis e desenvolvimento de protótipos, entre os quais o cateter urinário biodegradável Hydrustent™, que deu origem à empresa com o mesmo nome. Nuno Silva, investigador do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS), demonstrou a relevância do trabalho que tem desenvolvido ao nível das lesões vertebro-musculares, na continuidade do seu trabalho doutoral que consistiu em desenvolver novas terapias baseadas em biomateriais e células estaminais para o tratamento de lesões medulares.

Por fim, Sónia Silva, investigadora no CEB-UM, destacou a importância do estudo de infeções por Candida e do desenvolvimento de terapias alternativas aos antifúngicos tradicionais, como as baseadas na identificação de oligómeros antisense, de forma a controlar as candidíases.
A sessão de trabalho terminou com a entrega de prémios.
O prémio de entidade parceira foi atribuído ao CiiMAR pela colaboração em projetos e acolhimento de alunos da ESA-IPVC para realização do estágio e projeto individual. Alexandre Barros, licenciado em Biotecnologia pela ESA-IPVC, foi premiado pelo mérito do seu percurso académico e profissional. Procedeu-se ainda à entrega do prémio do concurso de ideias do projeto ECOSAN, financiado pelo Fundo Ambiental. Cristina Calheiros, membro do júri em representação do Colégio de Ambiente da Ordem dos Engenheiros da Região Norte e membro da equipa do projeto, entregou o prémio à vencedora Mariana Costa e duas menções honrosas a Catarina Costa e Rita Castanheira, alunas finalistas da licenciatura em Biotecnologia da ESA-IPVC.

Os pósteres apresentados pelos alunos deste curso, como resultado de trabalhos desenvolvidos no âmbito de projetos e estágios em ambiente industrial, revelam a qualidade do ensino, em articulação com as empresas, sendo este um fator primordial para o alcance das elevadas taxas de empregabilidade deste curso.

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