Correio do Minho

Braga, sexta-feira

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As ‘piadas’ da política

Muro de Gelo

Ideias

2013-12-27 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

Opovo, na sua imensa sabedoria, quando se refere a política fala antes de “pulhítica”, de certo modo chamando à colação a “pulhice”, seus jogos e tudo o mais que tresanda a tal.
E talvez com carradas de razão, por muito que isto custe a alguns que se dizem “imaculados” e “puros” numa actividade já profissionalizada, aureolada e prenhe de regalias, comedorias, projecção social, “status” e réditos.

Mas ainda assim somos surpreendidos com as cenas caricatas e de comédia bufa que vêm ocorrendo no Parlamento, onde, pelo que se vê, todos se esmeram no seu papel de actores na “palhaçada” em que caiu este país. Segundo os media, até os ataques-comentários às previsões e palavras do ex-ministro Gaspar provocavam gargalhada geral, o que não deixa ser gratificante por de algum modo quebrar o ar funéreo, doloroso e desesperado dum povo a viver na miséria, sem sonhos e em dificuldades.

A grande verdade é que continua a haver uma “cambada” de papalvos pretensiosos e outros que tais que se vão rindo e galhofando com a situação do país, e isto porque, apesar das suas incapacidade e inutilidade, têm garantidos os dinheiro e boa vida já que o Estado continuará a pagar-lhes tais “palhacices”, risos e “charlatanices”.

Os factos já não são actuais, mas mesmo assim justificam uma análise crítica. O deputado Bruno Dias apresentou no Parlamento “o almanaque «Borda d’Água», que inclui previsões metereológicas, como «elemento central da estratégia do Governo», levando à gargalhada a comissão parlamentar de economia, incluindo o ministro da Economia” que “não conseguiu disfarçar nem controlar o riso” (JN,13.6.13), afirmando ainda tal deputado compreender as declarações de V. Gaspar «”que tem em conta o ‘Borda d’Água’ na leitura que o Governo faz do investimento privado»”.

Um gargalhar e riso de uns tipos que, dizendo-se nossos representantes, numa descarada momice ainda “gozam” com a situação e a nossa desgraça ao evocar e citar passagens do “Borda d’Água”, e que, sustentados pelo povo, se vêm marimbando para a crise e para este país depauperado e na miséria. “Cantando”... e rindo-se porque ainda não houve coragem nem sensatez bastante para os pôr “Borda Fora”, riscando inutilidades e cortando tudo quanto de balofo, mentiroso, daninho e tortuoso existe na política. Aliás a realidade, dura e cruel, configura-se mesmo como uma “trágica história da pulhice humana”, emporcalhando e abandalhando a nossa história, incluindo a “trágico-marítima”.

Na verdade importa dizer-se e saber-se que neste país, depauperado e com dívidas, o Estado continua a subvencionar os partidos e que só “a dívida dos partidos vale 22,4 milhões de euros” (10,8 do PSD, 8,5 do PS, 2, 2 do PCP, 704 mil euros do CDS e 64 mil do BE) (CManhã,12.6.13).

Dívidas atinentes a fornecedores e empréstimos bancários, mas de efeitos perversos na própria economia do país, sendo no entanto gratificante já saber-se de uma redução no financiamento público porquanto “de acordo com a lei n.º 1/2013, publicada a 3 de Janeiro deste ano, a subvenção estatal destinada ao apoio dos partidos políticos, prevista na lei n.º 19/2003, será reduzida em 10% até 31 de Dezembro de 2016. E isto devido à crise financeira de Portugal” (id).

Os partidos políticos são de facto um encargo para o próprio povo, anotando-se só que “o financiamento do Estado aos partidos políticos representados na Assembleia da República atingiu, em 2012, cerca de 19 milhões de euros” (id) e que se o partido vencedor das legislativas teve o financiamento mais elevado, o BE “terá recebido mais de um milhão de euros” de subvenção estatal. Tudo à custa do Zé, imagine-se!...

Ora face a tudo isto, atendendo à situação do país e à triste e tortuosa realidade da existência de tais “corpos estranhos” ou “aberrações” na vida social, comunitária e económica do país, e com nefastos efeitos, diga-se, interrogamo-nos seriamente se não seria de acabar de imediato com tais subvenções de dinheiros públicos.

Aliás, vivendo-se um clima de austeridade e miséria, com tais dinheiros poder-se-ia melhorar a situação do povo e de muitas famílias, obrigando-se os inúteis políticos a saltar “borda fora” das despesas do Estado, com “Seringador” ou não, e a trabalhar no duro e sem regalias. Então, com as dificuldades do dia a dia não teriam tempo nem disposição para um qualquer gargalhar nem para avançar com uma piada.

Porque piada mesmo, e com reflexos ímpares na vida deste povo há muito massacrado pelas “pulhices” da política, seria reduzi-los ao menor múltiplo comum e coagi-los a dar o corpo ao manifesto, lembrando-se que cá no Norte há bouças para roçar e beiras para limpar, não faltando sacholas e foices para tal. Naturalmente!...

Com menos deputados, menos cargos, menos tachos e menos políticos avançar-se-ia assim para uma outra e mais saudável vivência sócio-económica, porque, com calos ou não, tudo seria diferente num quadro de valência, rentabilidade, aproveitamento de meios, eficiência, responsabilidade, sensatez e austeridade. Que não pode recair sempre sobre o povo, com os “pulhíticos” numa boa, a gargalhar, com dichotes e piadas.

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