Correio do Minho

Braga, quarta-feira

As dinâmicas de inovação em territórios de baixa densidade

Uma carruagem de aprendizagens

Escreve quem sabe

2018-04-15 às 06h00

Manuel Barros

Dediquei as minhas últimas crónicas ao desenvolvimento do território e à proximidade do interior e à necessidade de serem encontradas a medidas adequadas, para invertermos a tendência de desertificação e do envelhecimento das populações, que se tem vindo a acentuar ao longo das duas últimas décadas. Um problema de grande atualidade, que exige medidas imediatas e soluções de longo prazo, que tem marcado o carater impulsivo das atitudes em relação às soluções a serem adotadas. Problemas estruturais que se colocam aos gestores dos territórios de proximidade, onde os autarcas têm desempenhado papel decisivo e incontornável, ao nível da adoção de medidas de inovação e competitividade territorial.
Este tipo de territórios caracteriza-se geralmente, pela existência de aglomerados populacionais de reduzida dimensão de duplo envelhecimento, que resulta da saída de jovens e de uma reduzida taxa de natalidade. São portanto territórios regressivos, pelo facto de serem áreas menos dotadas de infraestruturas e equipamentos, de baixos níveis de rendimento, que enfatiza a tendência de despovoamento aliada a dinâmicas demográficas desfavoráveis decorrentes fundamentalmente, de um acentuado êxodo populacional, associado a um ciclo de causalidade cumulativa.
Territórios com um perfil de baixa densidade, aliados à existência de micro e pequenas empresas de serviços comercializáveis de apoio ao consumo, na restauração, vestuário, serviços de proximidade, pequenas unidades agroindustriais, em contraponto a um número significativo de agentes empregadores a operar nas áreas não comercializáveis, nos serviços de apoio social e nos organismos públicos de pequena dimensão. Situação que exige, e que tem evidenciado a necessidade de implementação de um processo de descentralização, e uma dinâmica que não poderá passar apenas pelo turismo. Apesar da vasta e virtuosa constelação de negócios que se desenvolveram na orla da sua influência, tal como temos vindo a afirmar, porque falta trabalhar de forma mais assertiva e organizada, a outra face do problema. De facto, se não temos nem podemos ter muitas certezas sobre o que o futuro nos reserva. Temos a evidência de que tudo mudará cada vez mais depressa. O que significa que em última instância, tudo é precário. Numa economia cada vez mais guiada pela necessidade de inovação, haverá empresas a nascer e empresas a desaparecer a um ritmo que, tal como afirmou o jornalista José Manuel Fernandes, “nem Joseph Schumpeter terá imaginado possível, quando identificou a destruição criativa, como um dos mecanismos do progresso e um motor para a criação de mais riqueza”, um artigo de opinião intitulado “O progresso no século XXI não é de esquerda”.
Neste tempo, da quarta revolução industrial, “a defesa da rigidez laboral ou da omnipresença do Estado, ou das reversões”, mostram-nos em sua opinião, “uma esquerda prisioneira do século XX e reacionária no século XXI”. Uma sinalização política que divide o mundo de forma estanque e maniqueísta em esquerda e direita, que faz cada vez menos sentido menos sentido ainda faz, quando vemos o que a esquerda tem defendido nos últimos anos, e qual é a sua visão de futuro em relação às políticas de inovação direcionadas para os territórios de baixa densidade.
Apesar de especificar e classificar todas as variáveis usadas para avaliar um território, ou unidade territorial de referência, cabe ou não na designação de baixa densidade. Trata-se de um critério de classificação, mais formal ou menos formal, que integram os territórios que têm baixos níveis de rendimento, fraca densidade populacional, forte emigração, envelhecimento acentuado, baixos níveis de infra estruturas, serviços, e empreendedorismo, fraca oferta de emprego. Independentemente dos posicionamentos ideológico, perspetivamos nos próximos tempos, uma procura de recursos humanos qualificados muito elevada.
Uma dinâmica em que, a ajuda dos municípios e das instituições locais e nacionais, vai ser fundamental para podermos atingir uma verdadeira coesão social e territorial. Acompanhando o esforço concertado entre os empreendedores as populações, que neste momento estão a ficar bastante envelhecidas, para ultrapassarmos a dificuldade de fixação de população e de quadros qualificados. Uma ação que deverá passar pela atração de jovens qualificados aos territórios de origem. Proporcionando oportunidades, de desenvolvimento de dinâmicas de inovação induzidas pelo sistema de ensino superior e da criação de condições de incentivo à fixação de talentos.
Um desígnio que pressupõe uma série de obrigações para o Governo concretizar no curto, médio prazo, a que se têm juntado as Universidades e Institutos Politécnicos, com destaque para os protocolos de cooperação da Universidade do Porto com mais de 50 municípios de todo país. Um processo, em que as Instituições de Ensino Superior, poderão dar um impulso fundamental. Através da implementação de programas e projetos de cooperação com as empresas e como os municípios, de forma a apoiar a empregabilidade dos estudantes e recém-graduados para combater a desertificação do interior. Regiões periféricas que enfrentam o repto de remodelarem os seus modelos produtivos, que reequacionam os cenários de desenvolvimento com base mecanismos de inovação. Uma dimensão que está no centro do processo de desenvolvimento dos territórios, consensualizada pelas estratégias de atuação, que pressupõe uma nova geração de políticas de inovação de matriz territorial, de abordagem multidisciplinar com base na promoção de programas de investigação e desenvolvimento, focadas na melhoria da capacidade dos diversos atores locais e regionais, formuladas, direcionadas e implementadas para responder às necessidades de reais do setor produtivo.

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