Correio do Minho

Braga, terça-feira

- +

As borboletas

Vamos falar de voluntariado…

Ideias

2016-06-24 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

Cremos que não haja alguém que não saiba ou não tenha visto borboletas, aliás uns insectos “da ordem dos lepidópteros” com asas delgadas e farpas na cabeça que se distribuem e multiplicam por várias espécies, por regra distinguindo-se pelo desenho e o colorido das suas asas, e com um revolutear rápido e esquivo por entre as flores dos jardins, nas quais por vezes se imobilizam com as asas juntas e erectas dissimuladas nas suas corolas.

Em regra nos dias quentes e solarengos do tempo primaveril e estival, quando os há, afirmando-se como algo de belo e de surpreendente fascínio para a vista, não havendo ninguém que não se entusiame e delicie quando as avista no seu volutear e a um ponto tal que muitos há que se até entretêm na sua captação, coleccionando-as, ou tão só “guardando-as” entre as folhas dos livros para um posterior regalo.

Claro que é de todo óbvio que não nos estamos a referir àquelas “borboletas” de que há quem diga “sentir na barriga” quando se “entrechocam” e se “casam” afectos, despertando o amor e até a paixão, e que é já muito vulgar ouvir-se de muitas jovens quando falam ou nomeiam alguns rapazes em conversas com amigas. Mas “sentir borboletas na barriga” afinal, temos de convir, não é um privilégio de todos nem de todas, porquanto no nosso tempo não era nada disso, nem nada que se assemelhe, o que se sentia aquando do “entrechoco” ou “cruzamento” de afectos. Claro!... Eram outros tempos, outras mentalidades e até... outros e mais comedidos afectos e... resultados.

Mas se há “borboletas” que mesmo como insectos da ordem dos lepidópteros nem sempre são de regalo para a vista nem apreciadas pelo cinzentismo dos desenhos e obscuro das cores das asas, e por isso se sacodem, a grande realidade da vida mostra-nos que no dia a dia, e em todas áreas da vivência humana, somos confrontados e incomodados por certas “figurinhas” que na sua forma de agir, de pensar, de falar e de se comportar e assemelham a tais insectos, uns animais que certamente, no pensamento da Catarininha, nem sequer têm consciência de si, não merecem nem devem granjear protecção e estatuto.

Figurinhas muito conhecidas e badaladas que na verdade procuram ser “figuras” faladas e respeitadas mas que, pelos seus actos em concreto, pensar e forma de vida, não passam de uns “figurões”, e da pior espécie, diga-se, deixando aflorar e vir ao de cima todos os resquícios e sinais de sua anterior fase larvar e de meras lagartas. Uns “insectos” em comportamento, em presença e em acção, note-se, que passam os dias e a vida a borboletear, a beijocar, a “selfiar”, a saltitar e a volutear mas que de modo nenhum se configuram ou se podem confundir, bem pelo contrário, com as “borboletas na barriga”, tão comum em raparigas sonhadoras e apaixonadas, e não chegam aos calcanhares das “mariposas” que nos alegram a vida e a vista.

Como autênticas “larvas” e até já “lagartas” na vida e na bolsa de muitos portugueses, vêm roendo e destruindo a “textura” e o “tecido” moral e de princípios de muito boa gente, aniquilando e apagando qualquer sinal de esperança e de confiança no Amanhã. Pousando aqui, desde que haja projecção social e poder, saltando para ali em busca de mais dinheiro, réditos e benesses que as satisfaçam, sempre esvoaçando e deslizando para além e muito mais além, passam o tempo a revolutear como as borboletas, muito felizes da vida e ufanos pela atenção que despertam e pela vaidade que cultivam, quase sempre num saltitar de malabarismo pictórico, pitoresco e nada anódino, porque mesclado e de todo eivado de interesses pessoais. Um saltitar ridículo, dir-se-á apenas, mas num borboletear pelo qual sempre sonharam e viveram por entre os maiores ou menores calores do verão e as flores dos jardins das suas vidas anteriores, suportando os rigores do frio e do mau tempo, que por vezes se viveu, mas de todo esquecendo as duras e recentes realidades da vida, sejam elas económicas, políticas ou de outro jaez.

Aliás, se prestarmos atenção às notícias e “novidades” que certos “borboletas” dos media deixam escapar ou teimam em publicitar, temos de convir que o nosso país não passa de uma pequena campina de muitas “flores” onde pululam e vivem tão só borboletas, e das mais variadas e singulares espécies. Algumas bem “maduras” em idade e com o fim à vista, mas muitas outras ainda jovens e acabadas de sair do estado larvar, mas já muito esquecidas das lagartas que foram, e que vão revoluteando desde há anos na governação, no poder e na administração pública, num “borboletear” de conveniências, de mentira e de vaidade e gastando dinheiros públicos.

Aliás, cremos que não há português algum que não tenha avistado e até se confrontado com muitas delas, na administração local, no governo, no parlamento e na vida em geral, tal tem sido o “borboletear” de muitas dessas “figurinhas”ao longo do tempo e no quadro “democrático” do nosso sistema político.

Em que as deslocações, os contactos e as referências a Bruxelas são o pão nosso de cada dia, e as palavras e os discursos também, enquanto o presidente, interrompendo os seus banhos no Guincho se vem entretendo em deslocações, em inaugurações, em visitas e a saltitar entre Paris, Roma, Bruxelas, Berlim, Maputo e os Alguidar de Baixo e Alguidar de Cima perdidos no algures deste país, procurando gastar a sua muito falada energia e genica no “ginásio” das viagens e a sua agilidade e mobilidade entre as câmaras da TV e os microfones dos media.

Mostrando-se, tirando selfies, beijando, acenando, sempre a desfazer-se num sorriso, que parece ser uma cópia “grotesca” dos sorrisinhos do Centeno e do Costa, estes moldados em cinismo e calculismo . Um primeiro ministro que se sente nas suas sete quintas quando o põem a falar, em que só diz o que quer e o que lhe convém, sempre com um sorriso de maduro cinismo, e não responde e foge às perguntas directas e que não lhe agradam. Como na entrevista que deu à SIC, apertado pelo José Gomes Ferreira, em que se limitou a “borboletear”.

Mas que se há-de fazer se não temos outra solução que não seja coleccionar “borboletas” nesta vida de insectos que levamos, ainda que com consciência de nós mesmos até porque não somos estúpidos, mas sentindo-nos ainda uns “animais” com direito ao estatuto e à protecção jurídica de que fala a muito conhecida Catarininha, pelo menos a de nos vermos livres das “borboletas” dos políticos com que diariamente nos vemos confrontados.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias

10 Dezembro 2019

Regionalizarão?

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.