Correio do Minho

Braga, quinta-feira

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A procissão ainda vai no adro...

A sociedade e os comportamentos

Ideias

2015-04-24 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

Disse-o Rui Pereira, um antigo ex-ministro de Sócrates quanto ao muito falado e discutido processo em curso contra ele. E face a tudo quanto se tem visto, ouvido e lido concordamos inteiramente, tanto mais que ainda não foi formulada uma concreta acusação e continuam ainda em curso (e para durar, ao que parece) as investigações do Rosário no DCIAP, com o Juiz Carlos Alexandre numa atenta acção de garantia da legalidade. Continuará a haver recursos, muitos requerimentos, muito palavreado da defesa e amigos, muito “show off”, cantorias do movimento cívico “José Sócrates, Sempre”, programadas excursões e visitas, bolçadas “insinuações” e “arremessa-das”suspeitas, para além do folclore de um diz-se diz-se, veladas “ameaças”, cães “envenenados”, etc., etc., e na verdade muita água ainda irá correr debaixo das pontes até ao julgamento, se o houver, e à decisão final. Aliás tudo quanto Hoje se disser, porque muito prematuro e meramente conjectural, poderá ser Amanhã mentira, até porque é incontornavelmentre certo que a toda uma ainda muito truncada e incompleta informação se irá ajoujar sempre toda uma natural e conveniente desinformação, com notícias e factos viciados, adulterados, direccionados e apropriados, tornando cada vez mais difícil e tortuoso o caminho da verdade e das realidades concretas. Claro que tudo isto se irá naturalmente processar devido à acção e ao papel dos media, que consequentemente não deixarão de “rilhar” até ao tutano um “osso” tão apetecível, que sofre de osteoporose política, molar e posto a jeito por todo um conjunto de estórias trágico-cómicas e um passado recente, aliás ainda não esquecido. Um “osso”, diga-se sem qualquer outra intenção, que “a canzoada” e “a gaijada”, grosseira e ofensivamente assim classificadas pelo famigerado Dr. Araújo, não podem de modo nenhum largar nem desperdiçar, até porque estarão sempre em causa audiências, o share e as vendas!....
Claro que a procissão ainda vai no adro mas, confessamos, o que muito ainda nos preocupa e perturba é desconhecer-se de momento quem é que afinal irá integrar tal cortejo processional e levar a charola, designadamente quais são os outros e demais elementos das confrarias e irmandades que dele farão parte. Na verdade, ainda que se admita que de momento há “conhecidos” “irmãos” e “confrades” que até já têm vestidas ou à mão de semear as indispensáveis “opas” para todo um acompanhamento solene, piedoso, fiel, de oração e penitência, a grande e incontrolável realidade é haver de certo modo muitos “estandartes” e “bandeiras” a hastear e “varas” e “ciriais” a empunhar, e não se pode de modo nenhum esquecer aquele número indispensável de figurantes para levar aos ombros e fazer as mudas no transporte do andor do “Senhor de Vilar de Maçada”, segurando-o pelos varais. Uma tarefa, diga-se, bem árdua e pesada devido aos muitos “milhões” e “documentos” envolvidos e referenciados, compreendendo-se e admitindo-se perfeitamente a presença na procissão de muitas outras figuras, já faladas ou não, mesmo sem “opas” ou “ciriais”, quer participando na fanfarra, tocando e cantando, quer sentimentalmente ajoujando-se a tão esconso e esotérico evento. Algumas, diga-se, configuradas apenas como crentes, piedosos acompanhantes, amigos úteis, simples e prestáveis comparsas, mas outras perfilando-se mesmo e apresentando-se como actores e intervenientes directos ou indirectos, etc.... Umas naturalmente sofrendo as “dores” de um inesperado martírio, outras mostrando uma “crença” inabalável em purezas e inocências, e ainda muitas outras tão só esperando e confiando na felicidade e vantagens de oportunos anonimato e esquecimento. Mas sempre olhando de soslaio para os “mirones” que desde o adro vêm assistindo à passagem da procissão e respectivo andor pelas ruas da “cidade da democracia”, aterrorizados perante o futuro e vivendo interrogações por “passados” partilhados e não esquecidos.
Aliás, e na verdade, para além dos já indicados como arguidos, ainda é pura conjectura e até arriscado “prognosticar” quem irá ou poderá ocupar lugar em tal cortejo processional e qual posição e desempenho que possa ainda vir a ter, vestindo “opas”, com “ciriais” ou “varas” na mão ou mesmo ajudando a levar aos ombros o referido andor, muito embora, a acreditar-se em certas notícias, factos suspeitosos já referidos e realidades “comentadas”, não causaria muito espanto aos portugueses que em tal procissão viessem a participar uns tais Linos, Campos, Costas Reis, Silvas Pereiras, Morais, Varas, “ex-Favas”, Inêses Silvas, Aldas Teles, P.Soares, A. Figueiredos, R.Sampaios, Salgados e P.Amarais, e outros que tais. Eventualmente, diga-se, como simples figurantes, confrades amigos, antigos colaborantes e participantes ou ... tão só, reconheça-se ainda, como uns inocentes e meros “anjinhos”, e assim vestidos, face ao desenrolar de todo um processo muito esotérico. Mas um processo que, segundo consta e se diz, nas suas temporalidade e múltipla dispersão no espaço e áreas de acção envolve e se desdobra em todo um “esquema” de artificiosa “engenharia financeira”, de manipulações maquiavélicas e habilidosos “escamoteamentos” de dinheiros. Tudo se desenrolando com habilidosa, inteligente e manhosa arte, conhecimentos, amizades, intervenções da banca, “alapando-se” curiosas “aquisições” de livros, “compras” de propriedades, “pagamentos” estranhos, inesperados e encapotados e desconcertantes “transferências” de dinheiros.
É claro que a corrupção, qualquer corrupção, tem de ter factos concretos e reais a sustentá-la e que “vender cabritos sem ter cabras não prova por interferência a prática de crimes de corrupção”, como escreve no CM (22.3) Fernanda Palma do alto da sua cátedra de Direito Penal, dissertando sobre o acórdão da Relação de Lisboa e “sua convicção sobre os fortes crimes de corrupção” indiciados no processo de Sócrates, um comentário que assenta tão só no colhido da comunicação social, como cremos, já que não deverá ter tido acesso ao processo em si. Mas admirámo-nos que tão douta catedrática se tenha debruçado apenas sobre o provérbio «quem cabras não tem e cabritos vende de algum lado lhe vem” e não tenha ficado preocupada e perturbada com o “pormenor” de nesse acórdão Sócrates ter sido considerado «manipulador e pouco sério» (CM 23.3). Um “pormenor” e “qualidade” que não são apenas proverbiais, mas claramente notórios e de todo manifestos para quem tenha estado atento e vivido a sua acção e presença em muitos actos e “falações” como governante, e não se tenha por lorpa, ignorante, otário ou estupidamente crente.
Aliás ao que dizem nem serão assim tão descarada e simplesmente proverbiais as faladas cabras e os ditos cabritos, mas há que esperar para ver, importando sobretudo que no caso em apreço nos deixemos transportar tão só por realidades e não nos deixemos levar por convenientes devaneios jurídicos, bacocas e estúpidas explicações, insensatas teorizações e análises de truncada intelectualidade e esconsa intencionalidade, não justificáveis por qualquer amizade ou proximidade e de todo arredadas pelas naturais e normais sensatez, visão, vivência e pensar do povo. Em experiência e vida, note-se, para quem o inexplicável e incompreensível é mesmo o que não tem uma qualquer explicação plausível e normal. Aliás, e tão só como informação, refere-se que tal catedrática foi “juíza” (!?) no Constitucional e teve a substituí-la, numa “sucessão monárquica”, o marido e também catedrático Rui Pereira, o da expressão “a procissão ainda vai no adro”, que aliás não chegou a aquecer o lugar por não ter sido eleito presidente como era seu desejo, tendo sido logo chamado por Sócrates para seu ministro. Umas “cabras, cabritos e procissões” que parecem perturbá-los um pouco, mas de algum modo também os deviam perturbar, fazer pensar e incomodar certos “negócios” havidos com futebóis e entre a Worldcom, o Walton Grupo e personalidades e figuras subjacentes, bem como as “conveniências” e as “oportunidades” temporalizadas dos RERT I e RERT 2 para certas transferências. Mas compreendemos de todo em todo que tais “incómodos” ou “perturbações” muito dificilmente atinjam e afectem toda uma certa classe de “democratas” e “catedráticos” da política devido a certas “poluição” e “democratização” no “enchimento” de algumas “almofadas” de encosto partidário e outras “aventuras” intelectuais ou tidas como tais. O que é pena, sublinhamos!...

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