Correio do Minho

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A náutica no Alto Minho

Nelinha

A náutica no Alto Minho

Ensino

2019-06-19 às 06h00

António Brandão António Brandão

OAlto Minho afirma-se como sendo uma região de excelência para a prática de modalidades de desporto natureza e em concreto na área da náutica. Poderíamos perguntar o porquê de tal afirmação, no entanto quem conhece o território deixa de fazer sentido tal pergunta.
A região do Alto Minho foi reconhecida, em 2018, como uma das Estações Náuticas de Portugal. Este estatuto não é de admirar, pois este território apresenta uma rede hidrográfica com o potencial ímpar para a prática de modalidades desportivas em contexto de água. Claro está que uma estação náutica é algo mais que a prática desportiva em contexto aquático, no entanto neste caso concreto apenas me quero focar na oferta náutica.
Sendo o Alto Minho constituído por 10 municípios, em que todos eles estão ligados por uma rede hidrográfica excecional, tendo o Rio Lima e o Rio Minho os seus pilares, podemos afirmar que as infraestruturas naturais estão criadas.

Podemos estar nos municípios pertencentes ao Parque Nacional da Peneda-Gerês a praticar Canyoning, modalidade esta que se pratica na fase primário de um rio, designado de curso superior, em que o troço inicial do rio tem grande declive, com vales encaixados, com quedas de água, muito próximo das suas nascentes, em que resolvemos seguir o curso de água, ultrapassando os seus obstáculos nadando, saltando ou recorrendo a manobras com cordas, nomeadamente a realizar rapel; como no final do mesmo dia podemos estar num dos municípios mais próximos do litoral a praticar uma aula de surf a desfrutar das ondas do atlântico. Este exemplo mostra-nos a diversidade e o potencial que o nosso território tem.

Nesta rede hidrográfica identificamos inúmeras modalidades, começando desde a nascente de um rio, praticando canyoning como já anteriormente referi, e à medida que este vai ganhando caudal, podemos observar praticantes de Kayak extremo, como é o caso de Aniol Serrasolses, um dos melhores praticantes de Kayak Extremo do mundo, atleta RedBull, que ainda no início de 2018 esteve nas águas bravas de Portugal, não podendo deixar de passar pelo território do Alto Minho, descendo vários traçados de águas bravas desta região.
Continuando o percurso do leito do rio, na sua fase intermédia em que o rio começa a ter menos declive, no entanto ainda tem alguns rápidos, provocados pela aceleração das águas a ultrapassar os obstáculos desses locais, aproveitando estas acelerações para a prática do kayak, hidrospeed e rafting, sendo esta última modalidade muito praticada no rio Minho, trazendo um infindável número de turistas, afirmando-se com marca, mais a norte de Portugal.

As águas continuam o seu caminho, apresentando-se na fase inferior do rio, em que este se encontra praticamente plano, com a água a baixa velocidade, e aí vemos um infindável número de modalidades, como é o caso do remo, o stand up paddle, da canoagem de recriação e mesmo a de competição, tendo este território o orgulho de partilhar as águas com um dos melhores atletas do mundo de canoagem dos últimos 10 anos, Fernando Pimenta, levando por este mundo fora a bandeira de Portugal e o potencial náutico que o Alto Minho tem.
Chegamos à foz e ao Atlântico, de que tanto se orgulham os Portugueses, com o nosso passado dos descobrimentos, e que a nível desportivo temos conseguido reerguer esse orgulho de exploradores. O Alto Minho tem esse privilégio de ser banhado pelo Atlântico, e extrair dele o surf, o bodyboard, o remo de mar, o kitesurf, o windsurf, stand up paddle, a vela, o kayak mar, o mergulho, apresentando profissionais e atletas de referência nacional e internacional, como é o caso ainda recente de Marta Paço, que se sagrou a primeira surfista cega campeã da Europa e que deseja continuar a apanhar ondas.

Este é parte do nosso território náutico, em que todos nós nos temos de orgulhar, estando as empresas, os clubes e os municípios a fazerem um excelente trabalho para a promoção e criação de uma cultura náutica, tal como a Escola Superior de Desporto e Lazer tem vindo a contribuir para os futuros profissionais destas áreas, com a sua oferta formativa, na licenciatura em desporto e lazer, apresentando no seu plano curricular disciplinas de canoagem, rafting, canyoning, surf, bodyboard, windsurf, kitesurf, mergulho, criando profissionais de excelência, em que alguns já integram clubes e empresas no território e no futuro outros se irão integrar neste mundo de trabalho.

Esta mesma instituição apresenta na oferta formativa um mestrado de Desporto Natureza, tendo uma unidade curricular de desportos natureza, opção água, pois sente que há espaço de crescimento nesta área e que se pode apresentar como uma mais valia.
Com todo este envolvimento e criando-se sinergias entre as várias empresas, clubes, municípios, atletas, praticantes e instituições, o território será mais forte e será seguramente reconhecido a nível nacional e internacional como um território de excelência para a prática dos desportos de natureza.

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