Correio do Minho

Braga, sexta-feira

A evolução demográfica e implicações no mercado de trabalho transfronteiriço

Noam Chomsky, um pensador crítico do mundo actual

Escreve quem sabe

2018-06-10 às 06h00

Manuel Barros

O Conselho Consultivo do Observatório do Emprego da Universidade do Porto, coordenado pelo Pro-Reitor Manuel Fontes de Carvalho, apresentou no passado dia 4 de junho os resultados do estudo intitulado “A evolução demográfica e implicações no mercado de trabalho transfronteiriço", orientado pela Profa. Teresa Sá Marques e integrado no Projeto GEMCAT - Generación de Empleo de Calidad Transfronterizo.
Um projeto cofinanciado pelo programa INTERREG V Espanha-Portugal (POCTEP), liderado pela Secretaria Geral de Emprego da Junta da Galiza que se propunha, a elaborar de uma agenda de responsabilidade social empresarial transfronteiriça, através do desenvolvimento de um programa de responsabilidade social empresarial (RSE) nas PME, para definir políticas públicas de conciliação entre o exercício profissional com a vida familiar. Um desafio que a Universidade do Porto assumiu, integrando este projeto a convite da Câmara Municipal de Braga, no qual estão envolvidos a CIM do Alto Minho, a Direção Geral do Trabalho, a Conselleria da Educação e Emprego da Junta de Extremadura e a Consellería de Emprego da Junta de Castela e Leão.
Uma participação que se insere na dinâmica de proximidade, que da U. Porto tem vindo a desenvolver com as Autarquias nas suas mais diversas dimensões, numa área territorial bastante vasta, assumida como um dos desígnios estratégicos da Academia, que se tem vindo a expandir de forma muito significativa. Uma agenda de cooperação alargada, que abrangeu agentes da economia social, o setor público local e regional e o tecido empresarial, centrada na cultura de diálogo com a sociedade, e que já envolveu cerca de 50 Municípios.
Assumindo-se como instrumento fundamental, para a futura de transferência do conhecimento e da excelência científica e tecnológica da U. Porto, na definição de novos cenários de desenvolvimento com base mecanismos de inovação. Onde o emprego, a habitação, o planeamento, a coesão social, a segurança, a mobilidade, as infraestruturas de apoio ao desporto à cultura e ao lazer, e a valorização do meio ambiente, se assumem como fatores fundamentais, para alavancar dinâmicas inovadoras dos territórios de baixa densidade, que lhe estão adjacentes. Neste sentido, no âmbito deste projeto foi realizada a análise da evolução demográfica dos espaços de fronteira, através da realização de um inquérito, em que foram identificadas tendências, níveis de fecundidade e diferentes graus de envelhecimento dos espaços de fronteira, de forma a serem encontrados contributos para a formulação de novas medidas de política pública, com impactos positivos a médio prazo na fixação de populações e numa reorganização institucional, com capacidade para responder aos condicionalismos deste novo quadro demográfico.
A realidade social e política mudou de perfil, mas o espetro de fuga das camadas mais jovens mantem-se em todo o território nacional. Com avanços e recuos, das políticas de desenvolvimento do território, entretanto ensaiadas. Dinâmicas que realçam o trabalho meritório do poder local e o resultado das suas políticas. Implementadas pelas sucessivas gerações de autarcas, que agora esbarram na desertificação do território, onde vivem cada vez menos pessoas. Mudanças críticas que se consubstanciam, em alterações demográficas, tecnológicas e climáticas que exigem uma abordagem territorial diferente, ao nível nacional, ibérico e europeu. Territórios de densidade populacional assimétrica, com particular enfoque nos espaços transfronteiriços, em que as apostas se deverão colocar na educação e formação, na criação e sustentabilidade das empresas, e nos impactos provocadas pelas mudanças decorrentes destas novas dinâmicas populacionais, do envelhecimento e das migrações.
De acordo com o estudo, constata-se uma dupla perda de população no espaço transfronteiriço. Com saldos migratórios a baixar, a par da perda natural. As estruturas sociais em acentuada transformação, marcada pelos comportamentos em face da natalidade e da fecundidade. Mudança da composição familiar. A escolaridade da população está a melhorar, a um ritmo inferior ao resto da Europa, representando um fator crítico, em face das exigências da evolução tecnológica dos meios de produção, e do acesso ao mercado de trabalho.
As cidades são cada vez mais atrativas, perspetivando-se no futuro uma aumento da pressão demográfica em torno das grandes cidades e áreas metropolitanas, com destaque para Madrid e o sul da Europa. Em Portugal apenas Lisboa vai crescer. Precisamos de Áreas Metropolitanas fortes e a crescer, a par de espaços regionais com visão estratégica, onde os territórios transfronteiriços merecem uma atenção especial, com enfoque na Região Norte.
Planos de desenvolvimento com a capacidade de proporcionar oportunidades de formação, de desenvolvimento de dinâmicas de inovação, induzidas pelo sistema de ensino superior e da criação de condições de incentivo à fixação de talentos. Uma ação que deverá passar pela atração de jovens qualificados para os territórios de origem, proporcionando qualidade de vida, bem-estar e coesão territorial e aproximando as pessoas e investindo na rede digital, onde as universidades estão a desempenhar um papel fundamental.
Uma dinâmica implementada com a ajuda dos municípios e das instituições locais e nacionais, para Esbater a vulnerabilidade dos territórios do interior e de fronteira, apostando na criação de agendas de responsabilidade social, na sensibilização para a captação de emprego, na empregabilidade dos diplomados promovendo a igualdade de género, a conciliação da vida profissional e familiar e o emprego com qualidade.
A avaliar pelas conclusões deste estudo, a que vou regressar proximamente, estas tendências vão afirmar-se no futuro, como determinantes na promoção da coesão, da justiça social e no desenvolvimento de um novo modelo de governança do território.

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