Correio do Minho

Braga, segunda-feira

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A escola pública faz a diferença!

Uma crónica com cheiro a Dezembro

Voz às Escolas

2010-12-09 às 06h00

João Luís Dantas Leite João Luís Dantas Leite

Apesar do estado providência estar em crise, apesar do modelo burocrático-central da administração escolar padecer do mesmo mal, a escola pública faz a diferença.
Para nós, a educação é um bem comum, predominantemente público, cabendo ao estado a regulação e a prestação do serviço público educativo e a nós, profissionais da educação, a promoção de uma cultura de responsabilidade relacional, promotora da excelência ética e contribuindo para um desempenho de qualidade. Uma escola de qualidade potencia o desenvolvimento das capacidades cognitivas, afectivas, estéticas e morais dos alunos, contribui para a participação e a satisfação da comunidade educativa, promove o desenvolvimento profissional dos docentes e influencia com a sua oferta educativa o contexto social.
Ora, a escola pública tem a vantagem de democratizar o ensino e, ao mesmo tempo, de formar elites (embora não promova estratégias elitistas que põem em causa a admissão de todo e qualquer aluno), não necessitando de recorrer a rankings, que carecem de uma cultura de transparência, como estratégia de marketing para atrair os “melhores” alunos. A escola pública acolhe alunos provenientes de meios social, económica e culturalmente desfavorecidos e divergentes, de meios urbanos, rurais e piscatórios; acolhe minorias étnicas, imigrantes, alunos de educação especial, com fracos resultados académicos/escolares e de famílias desestruturadas… É com esta diversidade que a escola pública tem de viver, encarando-a como uma mais-valia para a integração social e para a construção de uma sociedade mais justa.
A melhoria dos edifícios escolares e dos recursos educativos, a humanização dos espaços, o reforço das relações interpessoais e a criação de um sentimento de pertença têm contribuído para minorar o absentismo e o abandono escolar. Perante a administração central e local, é responsabilidade colectiva a exigência de qualidade e de condições de acesso ao sucesso educativo.
Neste momento de apuro e desilusão, é importante que os cidadãos exijam políticas públicas educativas cada vez mais consistentes que valorizem a aprendizagem, a formação e a educação, orientadas para a promoção da equidade e da eficiência, valorizando, desta forma, a escola democrática, laica, universal e tendencialmente gratuita.
Neste pressuposto, a escola pública deve ser o garante de uma educação que não pode ser entendida como uma mercadoria sujeita às leis da oferta e da procura, por muito que as estratégias de marketing nos tentem fazer acreditar que a privatização será a saída para a crise (tomemos como referência os resultados da maioria das parcerias público-privadas), pois a educação deve ser um eixo estruturante para a coesão social, capaz de abranger todos os cidadãos. A escola pública destaca-se por atender às necessidades educativas de toda a população, impulsionando a igualdade de oportunidades e a promoção social. A escola pública faz a diferença!
Finalmente, e em jeito de despedida, gostaríamos de terminar este ciclo de crónicas, em que foi dada a “Voz às Escolas”, agradecendo ao Director deste diário o privilégio de partilharmos com os leitores algumas reflexões e preocupações sobre o sistema educativo português.
Termino com as palavras de uma docente “Mais importante do que ser ‘o melhor do mundo’, o melhor professor, o melhor aluno, a melhor escola, é tentar ser ‘o melhor para o mundo’.

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