Correio do Minho

Braga, quinta-feira

A divulgação da cultura científica

A fortuna perdida

Voz às Bibliotecas

2018-01-18 às 06h00

Victor Pinho

As bibliotecas são mais do que os livros que fazem parte do seu espólio. Há todo um conjunto de serviços e de actividades que merecem ser destacados. Entre eles, salienta-se a divulgação da cultura científica.
Já há muito tempo que a Biblioteca Municipal de Barcelos assinala a Semana da Ciência, no mês de Novembro, envolvendo os estabelecimentos de ensino concelhios. O objectivo é destacar o papel da ciência para o desenvolvimento humano, colocar desafios para o futuro, contactar pessoalmente com especialistas de diferentes ramos do conhecimento e divulgar o gosto pela ciência nas gerações mais novas.
Nestes últimos anos, já passaram pela Biblioteca Municipal de Barcelos nomes como Carlos Fiolhais, físico, professor universitário e ensaísta, David Marçal, bioquímico, jornalista e autor de diversos espectáculos de teatro e de programas de televisão sobre temas científicos, Carlos Corrêa, químico, autor de livros escolares e professor jubilado da Faculdade de Ciências do Porto e Cristina Carvalho, filha do professor e poeta António Gedeão, autora de, entre outros livros, O Gato de Upsala e Nocturno, romance biográfico sobre Chopin.

Carlos Fiolhais e David Marçal são co-autores dos livros Darwin aos Tiros e Outras Histórias de Ciência, Pipocas com Telemóvel e Outras Histórias de Falsa Ciência e A Ciência e os seus Inimigos. Este último é coordenador e co-autor do livro Toda a Ciência (Menos as Partes Chatas).
Também o Laboratório da Lí leva a ciência a crianças e adultos, com a realização de actividades lúdico-pedagógicas, como aconteceu na Biblioteca Municipal de Barcelos e em diversos estabelecimentos de ensino concelhios.
A realização de oficinas, a presença de cientistas, a disponibilização de um bom conjunto de livros das áreas da ciência e da tecnologia, bem como a constituição de dossiês temáticos, podem constituir um primeiro ponto de partida para sensibilizar o leitor para a cultura científica. Mas, numa atitude proactiva, podemos ir mais além. Estabelecer parcerias com instituições de ensino, como por exemplo, com a Rede dos Pequenos Cientistas que existe, na Escola Secundária de Barcelos, desde o ano lectivo de 2008/2009 e que nasceu da vontade de despertar os jovens do 2º e 3º ciclos e do ensino secundário, para a investigação, para a pesquisa e prática laboratorial, pode ser uma boa alternativa.

O projecto Rede de Pequenos Cientistas, que tem como madrinha Renata Gomes, cientista barcelense que trabalha em Londres na área das nanopartículas, procura dinamizar Grandes Laboratóriosde ciências naturais e de físico-químicas.
Recorde-se que, em Novembro do ano transacto, trouxe a Barcelos, Tim Hunt, Nobel da Medicina em 2001, que falou sobre as suas descobertas.
Outra forma de nos relacionarmos com a cultura científica pode ser através do programa Ciência Viva Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica que tem como principal objectivo promover a cultura científica na sociedade portuguesa, especialmente no sector mais jovem e na população escolar.
Estamos conscientes de que a ciência e a tecnologia têm um papel charneira no desenvolvimento da nossa sociedade e que só uma sociedade baseada no conhecimento assegurará a prosperidade e o bem-estar. Assim, devemos promover a educação e a cultura científica, dinamizando as Bibliotecas como espaços públicos de contacto com a ciência e a tecnologia, democratizando a cultura científica e tornando acessível a sua divulgação.

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