Correio do Minho

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Ideias Políticas

2018-03-13 às 06h00

Carlos Almeida

Muito se tem falado nos últimos dias sobre o desentendimento entre o município de Braga e o S.C. Braga a propósito da segunda fase da cidade desportiva do clube. Entre manifestações de ignorância, a que em alguns casos se junta uma boa dose de má-fé, e laivos de incúria, na verdade, foi gerado um ambiente de desinformação e, acima de tudo, instalada uma confusão nada saudável, principalmente, no decorrer de um processo que se quer rigoroso e transparente.
Reportemo-nos ao início, ao começo de tudo. A direcção do S.C. Braga, já sob a presidência de António Salvador, manifestou a vontade de um dia vir a construir no concelho a sua academia desportiva. Tornado público o grande sonho do clube, o município de Braga, então governado pelo PS, demonstrou desde cedo e de forma inequívoca o seu apoio ao projecto. Em 2007, chegou mesmo a ser aventada a possibilidade de a autarquia comprar uns terrenos de acordo com notícias veiculadas na altura, seriam na Quinta de Jós -, com o intuito de os doar ao clube. Apesar disso, tais intenções não vieram a concretizar-se.

Chegados a 2013, último ano de Mesquita Machado no poder na autarquia, volta a ser ventilado todo o apoio à construção da academia do Braga, insistindo-se novamente na ideia de se comprar terrenos para doar ao clube. Com as alterações decorrentes das eleições autárquicas desse ano, só em 2015 o executivo municipal revisita o processo. Nessa altura, participei, em conjunto com os vereadores do PS e da Coligação Juntos por Braga, numa reunião com elementos da direcção do S.C. de Braga, que reafirmaram a vontade de construção da academia de formação, tendo, para o efeito, solicitado o apoio do município na disponibilização dos terrenos. É neste momento que se põe de lado, e bem, a hipótese de a Câmara de Braga investir uns quantos milhões de euros para comprar terrenos vá-se lá saber a quem para o Braga construir a academia. Assim, aparece a solução nos terrenos municipais, junto ao novo estádio. Ao PS não agrada a ideia, dizem, porque para ali estava destinado o Parque Norte. Não sei bem, ainda hoje, se foi mesmo isso que incomodou o PS. Em todo caso, creio que é tempo de desmistificar o que se pretendia de verdade naqueles terrenos. É que, não raras vezes, ouvimos dirigentes do PS e outros incautos dizerem que a construção da cidade desportiva do S.C. Braga, como agora é conhecida, inviabilizou o grande parque verde que a cidade continua a não ter. Qual parque verde? Qual era, afinal, o projecto para o Parque Norte? Já agora, porque é que o PS, que esteve no poder até 2013, tendo lançado esse projecto em 1999, só conclui a construção do estádio? Porque é que abandonou a construção das piscinas em 2008 e não mexeu mais uma palha naqueles terrenos?

Do que se sabe, o projecto inicial do Parque Norte previa um estádio, as piscinas olímpicas, um pavilhão multiusos, um centro de actividades radicais e, vejam lá, um centro de estágios! É disto que falam, quando se referem ao parque verde da cidade?
É neste cenário que a solução de revitalizar aquele espaço, doando, é certo, os terrenos ao CLUBE, se apresenta como uma boa solução, desde logo porque o município não gasta um cêntimo no projecto, ao contrário, diga-se, do que aconteceu noutros casos.
Para além disso, por proposta da CDU, que não se demitiu das suas responsabilidades e apresentou várias propostas em defesa do interesse público, foi imposta ao S.C. Braga a condição de requalificar a abandonada piscina olímpica, transformando o espaço num multiusos para variadíssimas modalidades que não o futebol. Esta, a meu ver, para além do retorno desportivo, social e económico que a cidade desportiva traz à cidade, é, sem dúvida, a grande contrapartida pela doação dos terrenos municipais. Não tenho dúvida de que o aproveitamento do esqueleto da piscina olímpica e a sua requalificação só poderá avançar neste contexto, caso contrário teremos um problema pela frente durante as próximas décadas.

Se acho, ainda assim, que o clube tem de se mostrar mais disponível para colaborar com a comunidade, abrir-se à cidade, apoiar, ele próprio, outras colectividades desportivas?
Se acho, também, que o clube tem de encontrar formas de servir a cidade, colocando serviços e meios ao dispor da população?
Sem dúvida. Estou convencido de que, quando o fizer, não só a população vai poder usufruir do desenvolvimento do clube, como este terá vantagens no crescimento da sua massa associativa, número de adeptos e no amor ao emblema vermelho e branco. Pela minha parte, nunca o escondi, nem o farei. Não preciso que mo recordem, nem que me ameacem por essa condição. Sou adepto e sócio do Braga, com muito orgulho, mas nunca me esqueci, nem esquecerei, que fui eleito para defender o interesse público e de todos os cidadãos. Nunca tirei, nem tiro vantagens pelas decisões que tomo e assumo. Oxalá todos aqueles que lançam insinuações neste processo pudessem dizer o mesmo.

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