Correio do Minho

Braga, quarta-feira

2018 - um Ano de Aniversários

O que nos distingue

Escreve quem sabe

2018-05-25 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

No plano nacional, o Corpo Nacional de Escutas Escutismo Católico Português, prepara-se para, no próximo domingo, celebrar o seu 95º aniversário e ocorre-me o pensamento com que uma Junta Central terminou o seu documento «Presença e Acção do Corpo Nacional de Escutas Escutismo Católico Português na História da Juventude Portuguesa em XXX Anos de Apostolado pela Educação», publicado em Lisboa, no ano de 1954: o Corpo Nacional de Escutas é um organismo vivo; e por isso, traduz e realiza, em plena verdade, um movimento de Juventude para os Jovens de Portugal, sob as Bênçãos da Igreja.
Se evoco este pensamento é porque sinto que o movimento se tem mantido vivo ao longo de todos estes anos, e tem sabido adaptar-se ao evoluir do mundo, das sociedades, das pessoas, dos sistemas de comunicação e das tecnologias, e soube sempre fazê-lo, encontrando um sentido positivo para criar um desafio e uma oportunidade educativa. O conselho de Baden-Powell: aproveitai sempre o lado bom da vida, mesmo nos nossos dias, foi o principal instrumento de orientação que nos permitiu chegar até aqui com 71.470 associados no ativo e com capacidade de montar um Acampamento Nacional onde acamparam 21.500 escuteiros.

Certamente, no próximo fim de semana, o domingo, dia 27 de maio, vai ser curto para a concentração escutista que se realizará na cidade de Vila Real, para, em uníssono, entoarmos o cântico que sempre se dedica aos aniversariantes. Desde já uma palavra amiga e de reconhecimento pelo excelente programa preparado pela Junta Regional de Vila Real e pelo Chefe Nacional Adjunto.
No plano internacional, 2018 vai ser marcado pelas comemorações do centésimo aniversário da fundação dos Caminheiros. É verdade que o ano de 1918 foi estabelecido como o ano da fundação de forma arbitrária, uma vez que já em 1914 havia experiências com caminheiros, com a aparição em Inglaterra da Sociedade de Amigos Scouts, cuja finalidade essencial era agrupar os Escuteiros que, pela idade, já haviam deixado de o ser, como escreve Henrique Genovês, na Flor de Lis de junho de 1948. Sendo certo que o livro de Baden-Powell Rovering to Sucess na versão portuguesa O Caminho do Triunfo, que dá corpo e consolida estas experiência diversas, só será publicado em 1922.

Esta parece ser a estratégia adotada pelo Fundador, primeiro concebia a ideia e organizava-a no terreno, depois, corrigia as notas de planificação face à experimentação e, só depois, publicava o livro enquadrador. Assim, aconteceu com os Exploradores e o Livro Escutismo para Rapazes e com as Alcateias e o livro Manual do Lobito.
Em Portugal, no Escutismo Católico, os primeiros estatutos do Corpo de Scouts Católicos Portugueses, aprovados por Alvará do Governador Civil de Braga, em 27 de maio de 2018, depois aprovados pela Portaria nº 3.824, de 26 de novembro de 1923 e publicados em anexo ao Decreto nº 9.729, de 26 de maio de 1924, já contemplavam três secções: I dos lobitos (7-12 anos), II dos lobos (12-17 anos) e III dos velhos lobos (17-21 anos), esta última correspondente aos atuais caminheiros.

Com a alteração estatutária cujo texto foi publicado em anexo ao Decreto 10.589, de 28 de fevereiros de 1924, que alterou o nome da associação para Corpo Nacional de Scouts, sobre esta matéria apenas afiram que o lenço de todos os escuteiros é verde que os lobitos usam jarreteiras amarelas e os restantes, jarreteiras verdes. O regulamento geral de 1934 mantem as três Secções, mas introduz alterações, a saber: a I Secção (7-12 anos) dedigna-se de Alcateia e os seus membros de lobitos, a II Secção (12-16 anos) é o Grupo de escutas e a III Secção (16 anos para cima) é o Grupo dos séniores (parágrafo 18). No parágrafo 33, referente à Organização do séniores1, pode ler-se: Ao atingirem os vinte anos, os séniores1 de cada região podem deixar os respetivos grupos e, nesse caso, constituem entre si uma unidade moral, denominada clan, que depende diretamente do comissário regional.
Por força do Decreto-Lei nº 31.908, de 9 de março de 1942, houve uma nova alteração estatutária, Flor de Lis de maio de 1942, que no seu artigo 9º promove uma nova nas idades na designação dos membros: I Secção (6-11 anos) os lobitos, a II Secção (11-15 anos) os juniores e a III Secção (15-19 anos) os seniores.

Só no Conselho Nacional de 1948, realizado no Bom Jesus do Monte, em Braga, nos dias 29 e 30 de maio, é que se aprovaram as designações que hoje usamos: I Secção a Alcateia e os lobitos com lenço amarelo, II Secção o Grupo e os Exploradores com lenço verde e a III Secção o Clan e os Caminheiros com lenço vermelho (hoje esta é a IV Secção). Foi ainda resolvido banir a designação «lobos», «velhos lobos», bem como «juniores» e «seniores». Também se decidiu deixar à palavra «escutas» (sempre substantivo) bem como a «escuteiros» (subst. ou adject.) um significado genérico e comum a todos os elementos do C.N.E., ver a Flor de Lis de junho de 1948, página 107. Este sim, foi um Conselho Nacional épico!

Deixa o teu comentário

Últimas Escreve quem sabe

18 Dezembro 2018

Arrematar o Ano

16 Dezembro 2018

Sinais de pontuação

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.