Estamos a criar crianças felizes?

Voz às Escolas

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Maria da Graça Moura

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Para os filhos o sinónimo de felicidade são os pais. Oferecer-lhe o seu tempo e brincar com eles. Passarem tempo de qualidade juntos promove o desenvolvimento da auto-estima e da confiança. Cria laços que se tornarão nas suas memórias mais ricas. Os adolescentes, por outro lado, querem coisas: devemos dar-lhes tempo na mesma. Eles não sabem, mas é o que precisam.
(in UPTO educação e desenvolvimento)

Mas como encontrar esse tempo, se a escola é a tempo inteiro? Se o trabalho é a tempo inteiro?
Urge atualizar o sistema de proteção à família, beneficiar o convívio, reduzir o horário semanal de trabalho, o tempo diário na escola. Urge dotar as escolas de recursos humanos suficientes para garantir segurança e conforto. É imperativo cuidarmos bem das nossas crianças!
Bem cedo chegam à escola! A mochila tem o dobro do seu peso, fardo não resolvido pelo Ministério da Educação nem pelas entidades, associações e fundações que tanto se debatem pela sua redução. Nem as escolas, por mais que se sensibilize para a não necessidade de carregar tanto livro, tanto caderno de atividades, que as editoras comercializam com sucesso. Provavelmente a solução estará mais perto do que antes, pois a insuportabilidade desta situação a condenará brevemente.

Começa a maratona diária, hora a hora, o desenvolvimento de aprendizagens. Português, Matemática, Inglês, Estudo do Meio, Ciências, … sempre a aprender, concentrados, sem pestanejar. Quando surge o intervalo é o caos! Engolido o lanche, porque o espaço para o jogo da bola rapidamente será ocupado, liberta a energia acumulada. É tanta que é impulsivo correr, correr, cair, levantar, voltar a cair, escorregar. Vai contra o amigo, começa a discussão, o professor modera o conflito. No meio desta azáfama, a campainha toca. Já?
Volta a fazer fila, a sentar, a concentrar. Sem trabalho nada se consegue! Olha para o amigo, ainda com alguma réstia da zanga do recreio, pois não ficou convencido que o encontrão foi involuntário.

E chega a hora do almoço. Em fila, para o refeitório. Bem comportados, em silêncio, sem correrias e sem empurrões, sentar de novo.
Nem dá para saber brincar. É preciso aproveitar o tempo, pois logo, logo, toca novamente! E assim é. Vamos ao turno da tarde. Atenção, concentração. Aprender!
E eis que chega mais um intervalo. Mais jogo, mais correria, mais energia a libertar. E já tudo poderia terminar, pois as saudades da mãe e do pai são muitas.

Mas, no caso dos mais pequeninos, ainda temos as atividades de enriquecimento curricular (AEC). Podem ser tempos lúdicos, mas são no mesmo espaço, com as mesmas regras? No Agrupamento André Soares, foram aprovadas em Conselho Geral atividades diferentes, com o objetivo de ir ao desencontro deste fazer igual. Queremos que os nossos alunos tenham momentos de relaxe, de libertação de boa energia, de reforço de auto-estima, de confiança, através do ioga, das artes performativas, do teatro e da música.

Depois das AEC, ainda falta o ATL, os trabalhos de casa. Por volta das dezoito ou dezoito e trinta, uma luz especial chega à escola.
É este o tempo familiar. É este o tempo de ouro! É este o tempo para conversar, para olhar nos olhos e perceber se o dia foi bom, se há tranquilidade interior, se há alegria, se há crescimento!
A partir desta hora deveria ser proibido usar telemóvel, ver televisão, andar apressado. O turno pós laboral - aprender a ser feliz!
Se este turno funcionar, cada dia seguinte será tempo de mais crescimento, de sociabilização, de significativas aprendizagens. Assim, acredito que estamos a cumprir a nossa missão, formar pessoas felizes!

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