Férias em família

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Lara Espada Vale

Querido diário, este ano a minha família está a pensar férias todos juntos. Eu não estou muito entusiasmada, pois todos os anos acaba por acontecer algo e nunca conseguimos ir de férias por exemplo no ano passado estávamos a planear ir para Benidorme, no sul e Espanha e o meu irmão teve febre, no ano anterior a esse planeamos ir para o sul de França e a minha prima teve varicela, ah! Podia continuar, mas nunca mais saiamos daqui.
Este ano tenho o pressentimento de que tudo se irá repetir, porém os meus pais estão muito confiantes de que a viagem a Palma de Mallorca vai ser digna de constar num álbum. Eles são supostamente dois contabilistas chatos, sem nada para contar.
Vamos com os dois meus irmãos o mais velho e a mais nova, o mais velho tem o nome de Jorge, é chato como todos os irmãos mais velhos, e tal como eu também não está muito interessado em ‘’férias de família” por ele ficava em casa a jogar computador e a comer estrelitas. Já a minha irmã Érica é a mais nova está muito entusiasmada, ela adora ir de férias para qualquer lado para depois se gabar aos amigos de que foi para um sítio ``super´´ fantástico e que as férias deles não eram tão ``fixes´´ como as dela, enfim., não escolhemos os irmãos. Também vamos com o meu primo de nome Sérgio que acha que os pais não querem saber dele pois como ele diz sempre:
—Os meus pais não querem saber de mim, vão sempre para destinos exóticos como o deserto do Sara, a selva amazónica, a Austrália e este ano vão ver as famosas pirâmides do Egito.
Ele diz isso repetidamente pois os seus pais são grandes exploradores e normalmente nunca passam tempo com ele.
Já falta pouco para embarcarmos para o avião, no aeroporto vejo os grandes sorrisos nos rostos dos meus familiares (mais precisamente só os meus pais e a minha irmã mais nova), porém se olharem para a minha cara apenas vão vislumbrar uma expressão pouco animada de quem não quer estar ali de maneira nenhuma e tal como eu lá estava o meu irmão e o meu primo com a mesma expressão, parecia que estávamos a jogar ao jogo do espelho e que eles refletiam tudo o que eu gesticulava.
Embarcamos finalmente, o avião era espaçoso e tal, porém não tive muita sorte com o meu lugar, os meus pais, os meus irmãos e o meu primo foram viajar todos juntos na primeira classe, tiveram direito a jantar requintado enquanto eu estive quase a viajar na mala, por sorte ou azar, não sei bem, viajem na classe low cost, ou seja, viajem com o homem que ressonou a viajem toda e passei a viajem de jejum pois só me davam acesso a amendoins com sal, o que até visto desta forma não parece mau, mas ao contrário do que possam pensar cada saquinho de amendoins custava 2,50€, não acham que é um balúrdio? Eu acho por isso e por não ter dinheiro nenhum comigo porque não me dou ao trabalho de ganhá-lo, mas isso é outra história, continuando, a viajem não correu muito bem, mas quando aterramos em terra firme, foi diferente, acho que cheirei aromas melhores ali em 5 minutos, do que na minha vida toda.
Vou descrever-vos a paisagem que me deslumbrou, começando pelo céu, era ar puro e o céu estava pintado de azul; a água era a mais cristalina que eu já tinha visto até ali; os edifícios estavam construídos na perfeição e todos com grandes varandas onde se avistavam flores de variadas cores: vermelhas, azuis, laranjas, rosas (cor de rosa e não a planta rosa), roxas, — brancas e algumas com tons um pouco estranhos que eu nem consegui descrever, adiante, os caules eram de um verde vivo, que mostrava que as plantas eram bem tratadas pelos donos.
Enquanto estava para aqui a descrever o que via no meu diário perdia a noção do tempo e o táxi que levaria a minha família até ao hotel, mais uma vez não tive sorte ,nem tinha dinheiro e não tinha telemóvel, pensei seriamente e pareceu-me que o melhor era ir a pé e tinha de me apressar pois era quase meio dia e estava a ficar calor a mais para mim, o pior é que não sabia o nome do hotel e nem onde ele ficava, fui andando a cada passo que dava mais suor me escorria pela cara e ficava mais desidratada e cansada, porém mais perto do hotel. Finalmente graças aos deuses consegui chegar ao hotel, no entanto tinha outro problema é que não tinha a menor ideia em que quartos estava a minha família e não sabia falar espanhol, lá tive de me desenrascar, comecei por perguntar onde estava a minha família embora ele não compreendesse nada, ao fim de 10 minutos desisti, e disse desesperadamente:
—Afinal em que quarto está a minha família? - vi uma expressão estranha na cara do senhor rececionista, parecia que tinha compreendido, até porque a seguir disse isto:
—A menina fala português, eu também! - exclamou ele com um sotaque abrasileirado. - continuei:
— Então diga-me onde está a minha família.
— Estão no quarto 32 e 33 pode subir.
— Muito obrigada.
Subi e quando entrei dentro do quarto, guardei a minha mala cor-de-rosa florescente no armário e reparei que já ninguém estava no quarto, o que a principio não me pareceu mau, uma vez que era mais agradável estar no quarto sem o barulho, apesar de estar um ambiente tão deleitante estava na hora de ir ter com a minha família e de certeza que já estariam na praia, então não restava outro remédio tinha de descobrir caminho do hotel para a praia.
Ao passar pela rua escutei uma melodia tocada pelo instrumento estranho, era chamada de Tampura falei com quem a estava a tocar e pedi-lhe informações sobre o instrumento e ele informou-me:
—Ah, este instrumento é a Tampura um instrumento indiano muito bonito, é feita com madeira e cabaça seca e oca, tem 4 cordas e é capaz de reproduzir um som contínuo, profundo e ressoante. É a minha paixão!
— dhanyavaad. (“obrigada” em hindi, um dos idiomas falados na Índia).
— kuchh nahin. (significa “de nada” em hindi).
Fui andando pela rua até avistar a praia; uma praia de areia fina e de tom amarelada e um mar de água cristalina e pura, até acho que era possível vislumbrar o meu maravilhoso reflexo nela. E ainda estava lá a minha família, ufa, pensava que já se tinham ido embora, finalmente estava com eles! Infelizmente a minha felicidade durou muito pouco tempo, quando percebi que aquela não era a minha família, até acho que só fui atraída para aquela família por causa do aroma dos rissóis de camarão, ainda que não pudesse comer nenhum devido á minha alergia, o cheiro era ótimo e até parecia que a apetência tinha desaparecido. Avistei os meus verdadeiros familiares uns metros mais á frente, fui ter com eles e finalmente pude relaxar, se é que se pode chamar relaxar ao estar deitada na areia sem uma toalha e sem protetor solar; e para agravar a situação já tinham almoçado ou seja eu continuava de jejum desde muito cedo. Enfim, ao menos existia uma coisa boa, a melhor coisa que pode haver a que te mais falta te faz… estava finalmente com a minha família e estavam todos felizes.
Apesar destas férias terem sido muito cansativas, eu não ter conseguido relaxar nem um segundo e ainda por cima apanhado um escaldão de segundo grau, foram as minhas primeiras férias sem estar alguém numa cama no hospital por isso não me posso queixar muito, mesmo assim eu adorei ter ido de férias.

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