A (grave) greve dos professores

Voz às Escolas

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Maria da Graça Moura

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Está confirmada para o próximo dia vinte e um de junho a greve de professores (decretada pela FENPROF e pela FNE), que coincide com as provas de aferição de Matemática e Estudo do Meio do segundo ano de escolaridade e exames nacionais do décimo primeiro ano, às disciplinas de Física e Química A, Geografia A e História da Cultura e das Artes.

De facto, independentemente da opinião pública e publicada, dos objetivos e das razões desta greve, aos diretores de agrupamento interessa muito a estabilidade, sustentabilidade, segurança e funcionalidade dos serviços que asseguram a vigilância no processo, de modo a garantir as condições necessárias aos alunos para a prestação de provas finais. Mas é pertinente, em jeito de balanço de final do ano letivo, avaliar as muitas e variadas razões que motivam o descontentamento dos professores.

Desde o congelamento das carreiras, aos horários de trabalho, à desvalorização da profissão docente, à precariedade do processo de vinculação na carreira, ao agravamento das condições de trabalho, sem esquecer a idade dos professores, a natural passagem do tempo. Particularmente, esta última razão causa muitos constrangimentos à classe docente e à comunidade escolar. As escolas confrontam-se todos os dias com professores muito competentes e experientes, mas à beira da exaustão física e psicológica, a contar os dias para a reforma.

É hoje consensual, no seio da comunidade escolar, que um dos fatores que mais tem contribuído para o seu desgaste físico e psicológico é o elevado número de alunos por turma, o elevado número de turmas e níveis por professor, particularmente no caso de disciplinas com uma carga horária mínima, de uma ou duas horas letivas por semana, e sobretudo a componente não letiva que absorve imensas horas semanais de apoio/acompanhamento aos alunos, uma amálgama de funções em que o professor se vê envolvido. Apoio psicológico, educativo, afetivo, tutorial, ocupação de tempos livres, …. Papéis e mais papéis, relatórios, registos e comunicações escritas, planos de recuperação, de melhoria, …

O trabalho pedagógico é cada vez mais exigente e extenuante devido à complexidade da diversidade sociocultural das turmas. Estamos perante uma escola desvalorizada, professores descontentes, alunos descomprometidos com as tarefas escolares, pais insatisfeitos, currículo desajustado da realidade.
Ao mesmo tempo se lançam desafios! Desafios que podem fazer a diferença se forem enfrentados com o envolvimento da classe docente. Sem os professores, sem o seu empenho, a sua motivação, não é possível avançar com dinamismo, mudar, inovar.

Olhar para os agentes da educação como socialmente fundamentais, recuperando o respeito de toda a sociedade, é urgente. É inegável seu contributo para o desenvolvimento social, para a formação de novas gerações competentes e felizes.
O Conselho das Escolas defende que é preciso 'quase uma revolução' nas escolas, para desenvolver o perfil do aluno para o século XXI, com implicações na formação docente, no modelo de avaliação, na autonomia e na flexibilização do currículo.
Vamos ouvir os Professores!
Se houver vontade política para analisar, com bom senso, todo o sistema educativo português, todos ficamos a ganhar - alunos, professores, comunidade educativa e sociedade em geral.

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