Já acreditamos em tudo

Escreve quem sabe

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Borges de Pinho

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Na verdade já nada nos surpreende, neste ponto evocando a célebre frase de um não menos célebre árbitro de futebol (não era o famigerado Calabote!...) que dizia que já nada o espantava ou conseguia surpreender desde que vira um porco a andar de bicicleta. Ora há dias, quando ouvimos Costa afirmar que a economia é como andar de bicicleta e há que pedalar sempre (o Arménio discorda e fala antes numa mota, de certo pensando numa maior rapidez e nos trabalhadores que vêm alimentando o seu estatuto de sindicalista), os nossos muitos anos de idade e aqueles muitos outros de pedalada numa “pasteleira”, com alguns trambolhões de permeio, não nos permitem esquecer os reais contornos deste “negócio” do mesmo Costa, e temos bem presentes as “vacas voadoras”, as mentirolas, os sorrisos cínicos e outras suas “pataroquices”. Mas há que reconhecer que o nosso primeiro tem “jeito”para “pedalar” e se manter em cima da bicicleta, mesmo com “pasteleiras” que já deram provas de falhas e defeitos, com guinadas inesperadas e deficiências nos calços dos travões.
E se é inquestionável que em cima duma bicicleta uma pessoa só se aguenta e se equilibra dando aos pedais, também é forçoso reconhecer que Costa tem um perfil de genicoso e recorrente “ciclista”, sem ofensa já a pender para o de um “motard” assumido e vaidoso, sempre atento aos “boyaux”, seus estado e resistência e à escolha dos “carretes”, “pinhões” e “correntes” mais adequadas aos terrenos a vencer, pelo que não há motivo para se pôr quaisquer reservas ao que afirma, até se dispensando a imagem referida pelo famoso árbitro (Vítor Correia) como razão de ser de suas crenças. Simplesmente, nesta área do ciclismo, tão só se espera e deseja que modere os seus entusiasmos e não se ponha a fazer “demonstrações” ou “habilidades” em cima da dita “bicicleta”, para que não aconteça como na estória do miúdo que começou por se exibir só com uma mão no guiador, depois sem mãos, a seguir sem pés nos pedais e depois acabou ... sem dentes. Até porque o nosso primeiro não tem “fronha” para se apresentar sem dentes, pois lá se iam os seus sorrisos cínicos e o resto, sendo que tal trambolhão, e eventuais resultados, nos levariam até ... Sócrates.
Mas se em relação à Economia e à sua imagem duma bicicleta em contínua pedalada não nos pronunciamos, continuamos no entanto receosos de que neste “mundo de rosas”, cada vez mais sujo e imundo graças às “rosinhas” e outras “flores” que vêm sendo lançadas para o domínio público embrulhadas em “negociatas”, “jeitos”, “corrupções”, etc., e que já nos levam em tudo acreditar, sejamos conduzidos ao abismo. E mesmo com condecorações, reconhecimentos públicos, galarins ou ... uns simples “corninhos” como suportes e referências, diga-se, já que as seriedade, honestidade e lisura de processos andam pelas ruas da amargura e a justiça está atulhada em investigações, queixas e processos, muitos perdidos no labirinto de princípios e leis próximas dos “donos” do poder, e enrolados em recursos, alíneas, prazos e prescrições.
Vem-se barafustando com as agências do rating porque não se “comoveram” com o “país de rosas” a que se chegou nem com os lamentos dos portugueses, de Marcelo ao Zé dos Anzóis, gritando “não somos lixo”, mas esquecemo-nos que “a recuperação económica tem de ser sustentada” e que, quanto à dívida pública, que “os investidores persistem em lembrar”, “o mostrengo já ultrapassou os 247 mil milhões de euros - e, só em Abril, foram mais 3,9 mil milhões” (J.P.Coutinho, CM, 2.6.17). Que acrescenta que embora se queira vencer “o festival do ratingo”, há que lembrar que “ao contrário da Eurovisão, parece que neste festival não se vai só com cantigas” (id). Mesmo que entoadas em cima da “bicicleta” pelo Costa e os “coristas” Catarina e Jerónimo, já que é impossível “abafar” as vozes “desafinadas” dos Mexias, Pinhos, Baival, Granadeiros, Sócrates, Salgados, S.Silvas, Sobrinhos, Bataglias, Varas e de muitos outros que “apontam” para o “lixo” em que se tornou este país, a suportar os miasmas duma corrupção galopante no seio do “povo político”, “governação” e “dirigismo nacional”, com o insólito e a realidade a “vencer” mentiras e sorrisos. E não é com o “vulcão” Marcelinho nas ilhas de bruma, junto aos Capelinhos ou no bar do Peter, todo sorrisos e de copo de gim na mão, que o país vai lá, por mais selfies, sorrisos, afectos e conversa que haja. O país continua “lixo”, é enorme a dívida pública e desmedida a inflação, sendo certo que nos Continente, Pingo Doce, Intermarché e mais supermercados não se compra nada oferecendo só afectos como moeda de troca. Nem tirando selfies com as simpáticas meninas das caixas, diga-se, se consegue fugir aos preços dos produtos e seus aumentos e esquecer a dureza de uma vida que já não dá para se manter uma pedalada regular em cima da bicicleta, nem mesmo ao porco visto por tal árbitro.
Aliás, e por se falar nas “desafinanações” do “povo político” e seus resultados, é de todo óbvio e natural que se intente “calar” a Justiça e “castigá-la” por trabalhar e ter descoberto “lixos” que se queriam ignorados e no segredo dos deuses. Daí todo um “assolapado” esforço em retardar e alterar os estatutos dos magistrados e em os condicionar em ordem a um certo controlo pelo poder político, millitarizando-os, diz-se, com alterações e regras que lhes irão dificultar as suas acção funcional, liberdade e independência, ao reduzir meios, apoios e regalias e ao restringir e moldar direitos, regras e princípios que vinham sustentando as suas dignidade, legitimidade, isenção e garantia. Afectando-os nas suas imobilidade, segurança e confiança em parâmetros de estruturas, colocações, classificações e correcto exercício da função, naturalmente surgindo uma “corrida” à greve, anunciada pelos Juízes e MP. Um problema do qual o Marcelo das selfies se quer pôr à margem, esquecendo a problemática, a valia e a importância do poder judicial no sistema e conjuntura actuais, e que de modo algum pode ser condicionado pelos poderes legislativo nem executivo. Aliás trata-se “de gente que trabalha incansavelmente, sem tempo para a família e tempo livre, carregados de processos, de julgamentos, com agendas saturadas” (Moita Flores, C.M. 4.6.17), sofrendo “da impopularidade e da despromoção social” e sendo “os últimos no reconhecimento público”, mormente devido à falta de meios e condições para um optimizar da função.
A reacção do “poder político” à avalanche de” casos” a desenrolar-se na justiça e nos tribunais já era de se esperar, mas queremos acreditar que a Francisca tenha a firmeza, a força e o bom senso de salvar a Justiça de certo “cabotinismo político”, mesclado de “jacobinismo”, que a pretende minar e abafar. Embora seja aforismo popular o “diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és”, é de todo expectável que se continue a afirmar como pessoa inteligente e não se entregue a lucubrações insólitas e ininteligíveis, “pensando” em “coisas esquisitas”com direitos, tal como ocorreu em relação aos “animais” do partido dos ditos. É que hoje, “enfrentando” um bife no prato com um ovo a cavalo sentimos o estômago “às voltas” conflituando coisas e direitos e quase perdemos o apetite. O de simples jurista, claro!..

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