Braga Romana e o périplo livresco

Voz às Bibliotecas

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Aida Alves

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A propósito da iniciativa Braga Romana, propomos ao leitor uma curtíssima viagem pela nossa história local.
Ao percorrer as ruas da cidade de Braga, o leitor verificará que todos os dias revisitamos, de forma consciente ou não, lugares repletos de história e passado, cuja ocupação e atividade remontam aos séculos II e I a.C. Sem nos apercebermos, respiramos “ares” do nosso passado já com mais de 2.000 anos de existência. Visitamos a Bracara Augusta, capital da província da Callaecia, região que incluía a atual Galiza e Norte de Portugal. Da Bracara Augusta se transportaram para os dias de hoje vestígios arqueológicos que podem ser conhecidos e visitados.

Se pensarmos como é espantoso, viajarmos, na atualidade, na nossa cidade, por recantos de construções passadas, por memórias e ruelas de uma cidade outrora romana, podemos sentir que fazemos um viagem em 4D, sendo a quarta dimensão o tempo. O tempo que prossegue inexorável, seguindo sempre o sentido progressivo, pode ser percorrido ao contrário quando passamos por antigos locais, fechamos os olhos e absorvemos os eflúvios do passado.

Quando, por exemplo, passamos pela rua de S. Paulo e Largo Paulo Orósio (onde se situa a Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva com a sua cloaca romana e se podem ver vestígios da rua porticada do cruzamento sul entre o Decamanus maximus e o Cardus maximus), ou pela rua dos Bombeiros (onde se situa o Museu D. Diogo de Sousa, entidade que conserva um numeroso espólio da Bracara Augusta e preserva um amplo mosaico romano), ou pelo Largo das Carvalheiras (lugar da Insula, casa romana das Carvalheiras), ou na rua D. Afonso Henriques (domus da Escola Velha da Sé), ou no edifício da Estação de comboios (balneário pré-romano), ou na rua D. Paio Mendes (com uma inscrição romana na fachada da Sé), ou na Rua Dr. Rocha Peixoto ( lugar das termas romanas no Alto da Cividade), ou por entre muitos outros recantos da nossa história colectiva, viajamos por uma história arqueológica que nos traz uma riqueza imensa de práticas, vivências, modos de estar e viver em sociedade. E estas aprendizagens sobre os usos e costumes do passado, as vivências antigas, são, muitas vezes, a chave para vivermos no nosso mundo atual.

Os ensinamentos do passado são muitas vezes a pista que nos permite entrever o futuro.
Nas bibliotecas também conseguimos respirar a memória de uma cultura clássica, conseguimos absover o que de melhor se escreveu na literatura latina ou romana, consultar estudos e investigações históricas publicadas, ao mesmo tempo que entrevemos o futuro de pés firmes no presente. Aqui podemos apreciar obras escritas originalmente em latim, que atualmente estão traduzidas para português, e que permanecem como um legado da cultura antiga, especialmente da Roma Antiga.

Sabemos que nas bibliotecas encontramos obras que versam géneros distintos como a poesia, a comédia, a tragédia, a sátira, a história, e a retórica, muito em paralelo com a literatura grega. Do latim antigo chegaram até nós peças de autores como Plauto (cerca de 230 a.C. - 180 a.C) - O Soldado Fanfarrão (uma das suas peças de teatro, por exemplo), Terêncio (ca. 195 a.C.-185 a.C. — ca. 159 a.C) - O homem que se puniu a si mesmo (peça de teatro), Vitrúvio - Tratado de Arquitectura, ou Plínio, o Velho - na sua magnífica obra História Natural.

Nesse sentido, e associando-nos ao evento que é a Braga Romana que decorrerá na nossa cidade nos próximos dias, podemos dizer que as bibliotecas, sendo um repositório do passado, estão, no entanto, firmemente assentes sobre as tecnologias atuais, vivendo, portanto, o momento presente, mas sempre piscando o olho ao futuro. O passado é uma fonte de aprendizagem, o presente é uma vivência, o futuro é sempre uma esperança do fazer e do acontecer. Sejamos um pouco artífices do conhecimento, da literatura, do desenho, geometria, do conhecimento histórico.
'A virtude faz grandes obras; mas grandes obras faz também o tempo.'
(Plínio, o Velho)

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