A política vai começar a aquecer

Ideias

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Felisbela Lopes

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Nos próximos meses, presidência da república, governo e autarquias andarão, por diferentes razões, em campanha eleitoral. Porque todos sabem que as contas serão feitas depois do verão, havendo um novo ciclo político que se abrirá lá para o outono.

“PSD prepara-se para obter resultado pior do que em 2013”, noticiava, no sábado, o Jornal de Notícias, apresentando um mapa de um país pouco pintado em tons de laranja. Ainda é cedo para prognósticos, mas todos sabem que grande parte do balanço das eleições autárquicas se faz através de duas variáveis: a que contabiliza o número de câmaras por partido e a que identifica a quem pertence as autarquias do Porto e de Lisboa.

Ora, se quanto à primeira parte muita coisa pode ainda ser alterada, no que diz respeito às autarquias das duas maiores cidades do país será fácil prever o resultado do escrutínio: Rui Moreira continuará instalado nos Aliados e Fernando Medina permanecerá à frente do município da capital. Porque, neste tempo, os partidos da oposição não conseguiram construir alternativas fortes ao poder instalado. É verdade que em Lisboa o CDS leva a combate um peso pesado do partido: a própria presidente.

No entanto, esta opção centrista tem altos custos para a direita, porque abriu uma profunda brecha com o PSD. Não por acaso, na última edição do Expresso, noticiava-se que “Marcelo teme que Lisboa destrua a direita para 2019”. Porque na rua estarão duas candidaturas distintas que inevitavelmente entrarão em confronto uma com a outra e isso poderá interferir em futuras alianças, nomeadamente em eventuais coligações em próximas eleições legislativas.

Ora é exatamente aí que o Governo se concentra. Porque ninguém sabe quando se fechará esta legislatura. Apenas se pressente que pode terminar antes do tempo, apesar de o PCP e o Bloco de Esquerda estarem bem conscientes dos riscos que correm em caso de deixarem cair este governo. Eleições antecipadas significaria cada um correr por si e, em caso de maioria absoluta do PS ou de maioria do PSD, o poder negocial da esquerda esgotar-se-ia irreversivelmente. Jerónimo de Sousa e Catarina Martins devem pensar bem nisso, mas essa limitação pode não ser decisiva. E as eleições autárquicas podem ditar várias piruetas políticas. Sobretudo, quando se tiver pela frente um Orçamento de Estado para aprovar...

Se o PS conseguir um bom resultado nas autárquicas, António Costa sairá reforçado. No seu partido e no Governo. Porque saberá que tem um eleitorado seguro. E aí a hipótese de eleições antecipadas pode ser um jogo atrativo para um político demasiado arguto em movimentações político-partidárias. Ora, se esse cenário se desenhar, haverá ainda outro dado que a direção socialista poderá ponderar: o enfraquecimento da liderança de Passos Coelho. E todos conhecem bem qual é o melhor momento para atacar quem se quer derrotar...

Neste verão quente, Marcelo Rebelo de Sousa não deverá misturar-se muito com os políticos locais. Todavia, não se afastará daqueles que o legitimam: os portugueses. O Presidente da República andará por aí. Também fará viagens ao estrangeiro para fortalecer uma outra frente que o tem mobilizado: a diplomacia. Não se envolvendo muito em questiúnculas locais, Marcelo estará atento. Porque deste escrutínio dependerá também o modo como exercerá a sua magistratura. Neste primeiro ano, pôde contar com um colaborativo primeiro-ministro. Um e outro, por motivos distintos, precisavam de uma união forte. E lá foram fazendo o seu caminho. Juntos, em momentos estratégicos. A partir de Outubro, logo se verá...

Serão interessantes estes próximos tempos. Também aqui na região já se sentem algumas movimentações. Atravessando nestes últimos anos tempos de austeridade, os autarcas não têm muita obra para mostrar. Também é verdade que esta nova geração de edis, que sucedeu aos chamados dinossauros, vem optando por bens imateriais, alguns dos quais de valor muito discutível... Para mim, qualquer avaliação ligar-se-á sempre ao desenho das cidades que estes políticos constroem para as gerações futuras... Nem sempre faço balanços eufóricos, mas também é um facto que as estruturas políticas não têm força para atrair novos valores. É pena o jogo ser, por vezes, viciado. Porque a política é um campo demasiado sério para ser deixado em mãos de incompetentes.

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