O insólito à porta de embarque....

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Graça Santos

Com a democratização do gozo de férias e a facilidade de comunicações desta “aldeia global” atual, acrescida da mais valia das viagens de avião low cost, as pessoas de todo o mundo, de todas as raças ou poder económico, cruzam-se nos aeroportos, sobretudo no verão. E foi à boca da porta embarque do aeroporto de Madrid com destino para o Porto que esta história aconteceu...

Chegada a hora, a hospedeira de terra, impecavelmente vestida e maquilhada, informava em tom sério e profissional que abrira o embarque e pedia que os passageiros se organizassem nas respectivas filas. E as filas engrossaram rapidamente, largas e longas, sinal de que o voo ia muito cheio, quiçá esgotado. Logo, em aeronave low cost, havia que controlar o excesso de bagagem. Ela assim fez. Ainda parados nas filas, os passageiros foram sendo controlados pela operadora nos seus documentos, fila de embarque e bagagem.

A todas as malas duvidosas ela mandava colocar no medidor e, caso não coubesse, o passageiro ajustava, apertava melhor, passava coisas aos companheiros de viagem, ou simplesmente largava no lixo as de menor importância. Até que chegou juntos de dois jovens viajantes americanos. Um deles, um rapaz alto, forte, louro trazia uma mala bem cheia, envolta em bolsos, bolsinhos e bolsetas onde colocar as coisas de forma prática e organizada.

Convenhamos, atravessar o Atlântico com destino ao Porto (agora que virou moda), numa viagem de duração média, no mínimo, para um moço arrumado, limpo e bem parecido de tamanho XXL, a mala teria que vir mesmo cheia. Mas a hospedeira, no seu profissionalismo, não estava para contemplações e mandou medir a mala. Todos viam que não passaria a prova do medidor.

O companheiro de viagem, não poderia ajudar porque a sua bagagem, ainda que dentro do limite, também estava com a capacidade esgotada. Largar as coisinhas também não fazia sentido ao rapaz, pagar o excesso de bagagem - a outra opção - gerou o pânico na cara do moço (mala gorda, carteira magra, provavelmente!).

As filas estavam repletas de portugueses que regressavam de férias e de turistas ávidos de gozo de férias em Portugal. “Homens de negócios”, sérios e tensos, não se viam. Daí que dada a descontração dos viajantes, todos tinham os olhos postos na cena dos americanos. Eis se não quando, uma outra passageira deslocou-se da fila de embarque para ir ter com os rapazes. Abriu a sua bagagem e passou-lhes um saco grande, leve, para onde o Americano XXL poderia passar a bagagem em excesso e levar este outro saco como bagagem de mão. Fez-se luz no seu rosto.

Sorriu de orelha a orelha e vai de abrir a mala, desnudar ali a sua intimidade perante o olhar atento de uns duzentos e tantos estranhos, e passar atabalhoadamente cuecas, meias, roupas, objetos diversos para o saco auxiliar,.... E as filas aplaudiam o gesto, e riam com os americanos sob o olhar atento e frio da hospedeira. E a mala entrou no medidor e ela, contagiada pelos “espetadores” sorriu também anuindo com o abanar de cabeça o seu aval. Veio o abraço forte e as palavras de agradecimento dos dois jovens à portuguesa que os salvou. Então ouviu-se a uma voz vinda de uma das filas:

Não há dúvida, só poderia vir de uma portuguesa essa capacidade de “desenrascar”!
E tudo acabou em bem, gerando entre os passageiros do voo um ambiente de cumplicidade e de bem-estar.

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