Correio do Minho

Braga,

Este dia na História

Falar bem, Escrever melhor

Literatura

22 Dezembro 2015

A 27 de agosto de 1810, o paiol de Almeida, na região da Guarda, explodiu, destruindo o castelo medieval e a igreja matriz da vila portuguesa. Mas os danos não foram apenas arquitetónicos: cerca de 500 soldados luso‑britânicos morreram na tragédia, o que facilitou a vida aos franceses que nos queriam invadir.

Pensem nisto por um instante: Napoleão impusera o Bloqueio Continental, segundo o qual países como Portugal deviam impedir a entrada de navios de comércio britânicos nos seus portos. Portugal precisava do comércio inglês, pelo que não aderiu ao Bloqueio; de modo que viu as suas fronteiras violadas pelo exército francês e, por isso, pediu ajuda ao seu velho aliado inglês. No meio disto, explodiu um paiol, ajudando a causa napoleónica.

Não precisamos de ir mais longe do que isto para nos depararmos com um exemplo de como a grande e a pequena história se combinam e confundem. Caso assistam a um documentário ou leiam uma biografia sobre Napoleão, dificilmente encontrarão uma menção que seja à explosão de Almeida, o tipo de dado que, pela sua pequenez na História, está confinado a mono‑ grafias escritas por historiadores locais. No entanto, uma boa parte dos acontecimentos que mudam o mundo estão repletos destes pequenos acasos, que têm mais peso do que queremos admitir na nossa fortuna.

Pensem em D. João III. O rei viu todos os seus filhos morrerem até nascer João Manuel e contrariar essa sina. Ironia das ironias, João Manuel produziria um varão, D. Sebastião, que tomaria a coroa. Sabemos como a história acaba: com a dinastia dos Filipes. Isto não significa que o objetivo último deste (humilde) livro seja encontrar as mais ínfimas dobras da História nacional e justificá‑las à luz dos acontecimentos do tempo em que ocorreram. Não, antes de mais estes cadernos são uma espécie de declaração de amor a um subgénero literário que podemos apelidar de entretenimento. in Introdução
 

O autor:
Nascido em 1975, João Bonifácio é jornalista e escritor, publicando regularmente no jornal Público. Trabalhou na imprensa regional portuguesa, foi editor da revista Os Meus Livros, colaborou com vários órgãos de comunicação social, da revista Blitz ao jornal A Bola, passando pelas revistas Time Out e UP, fez guiões para televisão, traduziu, reviu, escreveu para o Inimigo Público e comentou futebol no Canal Q e em A BOLA TV.
É autor do manual de sobrevivência para os homens do século XXI, O Livro do Homem (ed. Quetzal), e do livro-reportagem sobre Manuel Palito, Daqui Não Sais Viva (ed. Guerra & Paz).





Este dia na História
João Bonifácio
Vogais

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