Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Troilo e Créssida no Theatro Circo

Sobre o Amor

Arte & Exposições

03 Junho 2010

Inédita em Portugal, a peça Troilo e Créssida, de William Shakespeare, estreia-se este ano no TMA, numa nova produção do Teatro Municipal de Almada, dirigida por Michel Kullemann.



Escrita entre 1602 e 1603 - contemporânea de Hamlet, portanto -, a peça foi desprezada até finais do século XIX, sendo-lhe apontados desequilíbrios vários (seria uma comédia ou uma tragédia?) e, até, um recorte escandaloso.

A história do amor arrebatado entre o herói Troilo - o mais jovem dos filhos de Príamo, rei da cidade de Tróia - e a grega Créssida, que tem lugar numa Tróia já sitiada pelos gregos - é apenas uma das linhas que tece esta trama dramática, mais interessada em demonstrar a pusilanimidade do grego Aquiles, cuja recusa em combater custa a Nestor e a Ulisses persuasivos apelos a uma mudança de atitude.

A infidelidade de Créssida - personagem medieval que aqui se intromete -, o apagamento de Troilo e a morte de Heitor às mãos de Aquiles sinalizam a decadência de um mundo heróico, que tocou particularmente os encenadores contemporâneos, desiludidos com um Mundo de guerras e enganos sucessivos.


Estando a rainha moribunda (Isabel I de Inglaterra morreria em 1603), William Shakespeare escreve Troilo e Créssida, peça em que - segundo Peter Ackroyd, autor de Shakespeare/A biografia - «todas as certezas e crenças da vida de corte são tratadas como material para riso e humor negro.

Shakespeare aposta [aqui] em subverter deliberadamente a lenda de Tróia. É uma peça em que as crenças ortodoxas na coragem troiana e na bravura grega são invertidas, revelando uma realidade dura, brutal e hipócrita subjacente às acções de ambos os lados. Os únicos valores são os que o tempo e a moda vendem: vender é aqui a palavra justa, uma vez que todos os valores são mercadorias para comprar e vender no mercado.

Troilo e Créssida é uma comédia selvagem e satírica sobre os temas do amor e da guerra, que trata ambos como falsos e volúveis. [...] As palavras de Shakespeare são magnéticas. Todas as partículas de uma cultura de corte decadente, um mundo decadente de heroísmo e nobreza individuais atravessaram o seu ser».

QUANDO
03 Jun 2010 a 05 Jun 2010

ONDE
Theatro Circo, Braga

HORAS ESPECTÁCULO
21H30

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